Introdução
As mudanças demográficas faz-se sentir de uma forma ou outra e com
intensidades diferentes em cada faceta do desenvolvimento económico e
sociais e vice-versa, por isso os estudos demográficos constituem um
tema objecto de interesse e preocupação de todos os países e
particularmente de Angola desde já faz muito tempo.
A demografia em seu desenvolvimento tem tratado de sistematizar o
conhecimento e de regularizar o futuro da população ou de alguma
variável demográfica. De esta maneira surgem as teorias de população,
das quais a mais difundida resulta a Teoria da Transição Demográfica,
pela sua grande possibilidade de aplicação, por seu presunto poder
explicativo e porque faz explícita a relação População –
Desenvolvimento.
Em consequência, este artigo tem como finalidade esboçar criticamente os
distintos enfoques teóricos sobre a articulação entre desenvolvimento
demográfico e o económico de modo tal que permita criar o marco teórico
indispensável para assimilar o alcance desta contradição em diversos
cenários e especificamente no contexto do território de Angola e
especificamente na província de Benguela.
Desenvolvimento
A relação existente entre o crescimento demográfico e o processo de
desenvolvimento económico não tem uma explicação única. Esta diversidade
de pontos de vistas encontra sua explicação última nas correntes
dominantes do pensamento económico e sociais, mas mais ala das teorias,
constitui um problema complexo da praxis económica. O crescimento
demográfico actual não é um assunto numérico somente; trata-se de algo
mais substantivo: o drama difícil, complexo e dramático do
desenvolvimento humano[i] que enfrenta uma grande parte da humanidade no
novo século.
Visão teórica sobre a inter relação entre população e desenvolvimento
O desenvolvimento económico, tal como é aceitado hoje em dia, só é
possível sempre que o crescimento traduza-se numa melhoria do nível de
vida das pessoas, no incremento dos ingressos por pessoa da família,
unido a maiores possibilidades de acesso a saúde, a educação e ao
bem-estar em geral, acompanhado também pela auto estima, o respeito, a
dignidade e a liberdade de eleição dos indivíduos.[ii]
A relação população – desenvolvimento esboça duas perguntas básicas:
Primeiro, como afecta e em que sentido a situação actual da população
dos países do Terceiro Mundo a suas oportunidades de alcançar os
objectivos de desenvolvimento económico para as gerações actuais e
futuras? Segundo, como afeita o desenvolvimento ao crescimento
demográfico?[iii] Estas e outras interrogantes em torno ao crescimento
demográfico e ao bem-estar humano são de interesse geral e centram os
debates sobre o desenvolvimento. [iv]
Neste plano é indispensável retomar outros aspectos da actualidade
mundial que estão intimamente relacionados com disjuntivas sobre a
capacidade dos países do “Terceiro Mundo”, por exemplo, para melhorar o
nível de vida, alcançar o pleno emprego ou ao menos impedir que cresciam
os desempregados, ampliar a cobertura e melhorar a qualidade de seus
sistemas sanitários, educativos, etc.
Neste apartado não pretende-se dar uma resposta categórica a cada uma
das interrogantes esboçadas anteriormente; mais bem o que interessa é
fazer algumas reflexões sobre esta problemática que prestem como guia
metodológica geral do artigo.
Antecedentes indispensável: de Malthus a Marx
A temática da população tem sido, desde os inícios do capitalismo até
hoje, uma problemática teórica e prática da maior importância. O
surgimento da demografia como ciência independente deu bases para uma
melhor discussão científica dos problemas do desenvolvimento e o enfoque
da Ciência Demográfica tomo desta fundamentação estas teorias de
população.
Desde o século XV até mediados do XVIII predomino o pensamento
mercantilista cujos representantes, embora não dedicaram nas suas obras
um capítulo específico à população, sem fizeram referencias
estreitamente ligadas a dinâmica demográfica e a seu entorno económico e
social. Para aqueles pensadores e para Adan Smith, padre do pensamento
económico clássico burguês, o tamanho e crescimento da população eram
variáveis que beneficiavam ao desenvolvimento económico das nações.[v]
No “Ensaio sobre o princípio da população” de Thomas Robert Malthus foi
escrito numa época mais avançada do desenvolvimento capitalista e
editado finalmente em 1808; constitui a mais popular ou impopular das
teorias de população. Segundo Malthus “… a população deve crescer por
efeito de uma capacidade reprodutora constante em progressão
geométrica”.[vi] Por outro lado, em seu esquema analítico, o crescimento
da população tenha um comportamento aritmético, embora que as
instituições sociais como o matrimónio, a propriedade privada sobre os
meios de produção e consumo e outros tenham uma origem “natural”.[vii]
Desta simetria deduz que o crescimento geométrico da população conduz
forçosamente à pobreza crescente sem tomar em conta o impacto que
pudesse ter o desenvolvimento tecnológico. Em sínteses, a concepção de
Malthus do desenvolvimento, faz depender o crescimento económico do da
população pelo que em política económica sugerira medidas
extraordinárias de redução e controlo da população.
De acordo com os seguidores de Malthus, para restringir o crescimento da
população existem uma série de controlos, entre os que se podem
distinguir dois: primeiro, os positivos, tais como as guerras, a fome e
as doenças e, segundo, os preventivos, entre os que se encontram os
suicídios, o controlo da natalidade e outros. Thomas R. Malthus
considera estes controles como consequência da falta de alimentos, que
qualificam como o obstáculo último da população.
O axioma maltusiano conduz necessariamente a que a população esta
avocada inexoravelmente a viver com uns níveis de renda de subsistência,
baixo o argumento de que a relação entre as taxas de crescimento da
população e da renda global per-capita são inversamente proporcionais.
Os economistas modernos tem denominado a este paradigma com “a trampa da
população que esta em equilíbrio a um nível reduzido” ou simplesmente
como a Trampa de População de Malthus.
Para os neo-maltusianos, os países pobres não poderiam nunca aumentar
seus níveis de renda per-capita muito por cima do nível de subsistência,
a menos que empreendam políticas drásticas de limitação do crescimento
demográfico.
A teoria da população de Malthus não resiste a prova da contrastação
empírica. O progresso tecnológico tem potenciado de modo crescente a
todos os factores escassos, incluso o fundo real da terra mediante o
aumento de sua produtividade por via biotecnológica e a engenharia
genética. Alguns estudos têm demonstrado que não parece existir uma
relação evidente entre os níveis de renda per-capita dos países do
Terceiro Mundo e as taxas de crescimento da população, nem tampouco com
as taxas de natalidade e mortalidade; o que sim resulta evidente para
muitos é a influência directa da distribuição da renda sobre o
crescimento demográfico. [viii]
A aplicação das teorias maltusianas e neo-maltusianas nos países do
“Terceiro Mundo” adolesce de serias insuficiências: ignora o papel que
desempenha o progresso técnico, a hipótese de que existe uma relação
macro entre o crescimento da população e o nível da renda per-capita, a
ubiquação da renda per-capita como determinante principal do crescimento
da população em oposição a um enfoque do problema que centre a toma de
decisão sobre o tamanho da família partindo do nível meio de vida
familiar.
Os trabalhos de Carlos Marx, Federico Engels e Vladimir I. Lenin
revelaram ao contrário de Malthus, que a população é realmente objecto e
a sua vez sujeito da produção social. Para o marxismo, a lei da
população é consequência da lei da acumulação capitalista,[ix] isto é, o
excesso ou deficit de população é uma função do monto e dinâmica da
acumulação do excedente económico. Em termos gerais, afirmo Marx “… Tudo
regímen histórico concreto tem suas leis de população próprias, leis que
estabelecem-se de um modo historicamente concreto”.[x] É esta a
concepção científica sobre a população que é reconhecida e utilizada
pelos investigadores progressistas do mundo na actualidade.
Alguns enfoques contemporâneos sobre população e desenvolvimento
Existem outras dimensões teóricas que analisam a inter – relação
População – Desenvolvimento e tem aportado elementos importantes ao
debate acerca dos limites do crescimento da população. Uma destas
teorias inscrevem-se em diferentes enfoques sócio – históricos e
económicos, e outras relacionam diferentes aspectos da população com o
desenvolvimento. Entre estas últimas se encontra o Modelo de Sollow para
taxas de crescimento da população variável; as que relacionam o emprego,
a população e desenvolvimento (Harris – Todaro) e outras teorias
derivadas da construção e aplicação de modelos económicos e demográficos
(Modelo Bachue).
Existem desacordos substanciais acerca da gravidade do crescimento
rápido da população e sobre seus impactos no crescimento económico para
muitos países e regiões do planeta. O crescimento demográfico, segundo
Finkle, não é a única, nem a mais importante causa que explique o
subdesenvolvimento, nem tampouco explica os baixos níveis de vida, assim
como a pouca auto – estima e a liberdade limitada nos países do Terceiro
Mundo.[xi] A tese que explica a génese do subdesenvolvimento partindo do
crescimento da população é inadmissível historicamente falando; embora,
seria ingénuo desconhecer que o incremento rápido da população é um
factor que intensifica e multiplica as dificuldades consubstanciais ao
desenvolvimento económico.
O crescimento rápido da população e o atraso nos países pobres não
radica, segundo muitos especialistas de países ricos e pobres, no
próprio crescimento demográfico, senão que esta associado a todo um
conjunto de aspectos estreitamente relacionados entre os que incluem: o
subdesenvolvimento, o agastamento dos recursos mundiais e a distribuição
da população.[xii]
Uns dos principais expoentes da controvérsia teórica População –
Desenvolvimento foi, sem dúvidas alguma, Julián Simón, quem opõe-se aos
conceitos maltusianos da necessidade de reduzir o tamanho da população,
argumentando que a população é o recurso mais valioso que tem um país, e
que se necessita incluir um balance dos aportes e benefícios das pessoas
no debate sobre a relação entre o crescimento da população e o
desenvolvimento. Em suas considerações não inclui somente as de carácter
puramente económico, senão também o valor social e ético da vida humana:
“com os alcances do valor comum e os juízo económicos não é possível
concluir tudo acerca de sim o incremento da população é bom ou é mão
desde o ponto de vista económico”
Na opinião de Simón, o crescimento positivo da população produz
resultados económicos consideravelmente melhores no longo prazo (120 –
180 anos, embora um crescimento estacionário da população no corto prazo
(60 anos) produz melhores execuções económicas; em mudanças, uma
declinação da população, seria muito mão para o largo prazo (Simón, J.,
1977). Deste modo justificava que o controlo do aumento da população se
dirigira aos países com baixos níveis de desenvolvimentos, mas nunca a
níveis de população estacionaria.
Outros teóricos como Allen Kelley e Robert Schmidt (1996) validavam
recentemente alguns dos postulados de Simón, ao mostrar os efeitos
positivos e negativos do crescimento da população na década dos 60 e os
70. Porém, para a década dos 80, eles encontraram uma rede de
associações negativas entre o crescimento da população e o
desenvolvimento económico; por exemplo, retrocesso no uso de tecnologias
na agricultura e com ele uma degradação dos solos agrícolas. Mais
recentemente, Ronald Lee, Andrew Mason e Timothy Miller (1997),
demonstraram que as mudanças na mortalidade e fertilidade tenham tido
diferentes efeitos sobre as alforrias e que a Transição Demográfica
implicava inicialmente um incremento nessas alforrias e que
posteriormente se produz um decremento.[xiii]
Finalmente, o debate em torno à interacção entre o crescimento
demográfico e o económico poderia sintetizar em dois teses ou
proposições com enfoques convergentes.
Primeiro: o crescimento acelerado da população é uma trava para o
desenvolvimento económico já que intensifica e exacerba os problemas
económicos, sociais e psicológicas inerentes as condições do
subdesenvolvimento.
Segundo: o desenvolvimento económico é uma condição necessária para
evitar o crescimento acelerado da população, posto que a generalização
da pobreza absoluta e os baixos níveis de vida são a causa principal do
grande número de filhos de cada família devido fundamentalmente ao
interesse dos padres de ter segurança económica na velhice. De ai que o
desenvolvimento seja uma condição necessária mas não suficiente, pois é
preciso proporcionar-lhe as pessoas as motivações e incentivos
necessários para limitar o tamanho de suas famílias e os programas de
planificação familiar devem dar os meios técnicos para evitar gravidez
não desejadas. [xiv]
Acerca da chamada Teoria da Transição Demográfica
A finais do século XIX e princípios do XX, partindo dos interesses por
aprofundar nas tendências da população, sobretudo na procura de uma
explicação na diminuição dos níveis de fecundidade em muitos países de
Europa Ocidental, tenha lugar o surgimento de o que se denomina a
“Teoria da Transição Demográfica”.
Esta teoria[xv] trata de explicar a evolução da população desde níveis
altos de mortalidade e fecundidade até outros cada vez mais baixos para
estabelecer o nexo causal entre a população e o desenvolvimento
socioeconómico ao longo das últimas centos de anos em Europa, assumindo
as transformações económicas e sociais do crescimento económico
capitalista baixo a influência da modernização industrial.
A hipótese básica desta teoria é que as populações tendem a passar por
certas etapas de mudanças demográficas determinada pela evolução da
mortalidade e a natalidade, como resposta as transformações sociais e
económicas que traem consigo a modernização industrial. Desde fines do
século XIX fico estabelecido que os níveis de fecundidade e mortalidade
da população, estão condicionados por factores socioeconómicos,
culturais, políticos e geográficos – sociais mais que por leis
biológicas. (Erviti Dias, 1998).
Seus postulados e enfoques tenham servido para estabelecer uma
periodização da evolução demográfica com suas etapas e rasgos
particulares. Em soma, seu uso foi-se estendido até o presente, tanto
porque refere-se a processos demográficos identificáveis ainda em
diferentes situações históricas, como por o fato de que constitui uma
proposta – sempre vigente – de explicação da dinâmica demográfica à luz
de suas inter – relações com os factores sociais, económicos e
culturais. [xvi]
A transição demográfica foi descrita como um processo de larga duração,
que transcorre entre dois situações ou regímenes extremos: um inicial,
de baixo crescimento demográfico com altas taxas de mortalidade e
fertilidade, e outro, final, de baixo crescimento mas com níveis também
baixos nas respectivas taxas. Entre ambas situações de equilíbrio
podem-se identificar dois momentos principais: primeiro, em que a taxa
de crescimento da população aumenta como consequência da diminuição da
mortalidade e, segundo, em que dito crescimento diminui, devido ao
abaixamento posterior da fertilidade. Então, em que medida e a que
velocidade muda a taxa de crescimento? Dependera da velocidade e do
momento em que começa a abaixar a mortalidade e a fecundidade.[xvii]
No processo de transição demográfica, o comportamento demográfico
tradicionais caracteriza-se por um crescimento vegetativo escasso devido
as altas taxas de mortalidade e natalidade em lho que incidem factores
tão importantes como a melhora na higiene, o habitat e a assistência
médica. As mudanças demográficas essenciais manifestam-se quando o
crescimento vegetativo é significativo ou explosivo, o que se denomina
na literatura especializada como o “boom demográfico”.
O crescimento demográfico esta intimamente relacionado com o crescimento
económico. Este último quando é sustenido supõe, baixo a lógica
produtiva capitalista, a transformação produtiva e mudanças
significativas na estrutura do emprego: sua criação ou destruição, assim
como transferências de emprego dos sectores menos produtivos (agrários)
aos mais produtivos (industria e serviços). Claro que as formas e
métodos de ocorrências destas mudanças estão em função da evolução e
tipo de economia histórico – concreta.
Nas economias agrárias, um crescimento demográfico importante gera, dada
uma situação de estancamento económico, super – população, ruptura do
equilíbrio recursos – população, a aparição de dificuldades alimentarias
(fome) e a expulsão do excedente da população (migrações) a outros
países ou para as grandes cidades. Em as economias primárias –
exportadoras, uma melhora económica permite o incremento da população o
que provoca um equilíbrio instável e uma transferência de emprego entre
a agricultura tradicional, artesanal, sector primário – exportador e as
novas actividades económicas. Nas economias que estão em processo de
industrialização, um crescimento económico importante, gera e se vai ver
influindo por um crescimento demográfico significativo que determina uma
série de fenómenos articulados de forma diferentes segundo as situações.
Estas situações estão relacionadas com o crescimento demográfico, com um
processo migratório intenso, com uma urbanização acelerada, com um
crescimento significativo das necessidades sociais e com um conjunto
importante das necessidades de emprego. [xviii]
A Transição Demográfica é, portanto, um processo complexo, e os países
diferem em quanto ao momento de inicio e ao ritmo das mudanças na
fertilidade e a mortalidade, assim como respeito as mudanças em outras
variáveis estreitamente relacionadas, tais como o lugar de residência, o
estado nutricional e de saúde da população, as condutas associadas à
formação da uniões e à planificação familiar. Não obstante, as
diferenças, há um certo consenso em que a transição demográfica tem tido
lugar no seno das transformações sociais e económicas que tem ocorrido
nos diferentes países, embora a relação entre essa transição e essas
mudanças sejam complexas e difícil de precisar. (CELADE/CEPAL,
1993)[xix]
Diversos autores já escreveram sobre a “Teoria da Transição
Demográfica”, se reconhece ao demógrafo francês Adolphe Landry com sua
obra “A Revoltion Demographique” como o primeiro (Elviti Diaz, 1998). Na
sua obra abordou a relação das variáveis demográficas e a produtividade
do trabalho, distinguindo três regímenes principais: o primitivo, o
intermédio e o moderno. Posteriormente Warren S. Thompson aprofunda
sobre o tema considerando a evolução demográfica em três etapas: estado
de crescimento potencial, estado de crescimento efectivo da população e
estado estacionário o de diminuição. [xx]
No ano 1945 aparece a obra do demógrafo inglês Frank Notestein que se
denominou “Transição Demográfica” e que constitui na actualidade a mais
conhecida de todas. Nesta obra afirma-se que dita transição parte de uma
etapa inicial na qual se registraram altas taxas de mortalidade e
natalidade, portanto, o crescimento da população era baixo, devido a
frequentes aumentos do nível da mortalidade vinculados com guerras,
epidemias, má colheitas, etc.[xxi]Mais adiante a teoria da transição
demográfica é enriquecida por Notestein o qual afirmo que era possível
aplicar ao resto das populações do mundo a experiência vivida pelos
países de Europa Ocidental, ao ocorrer a transição nos mesmos.
Finalmente, denominou a sociedade industrial das cidades como o factor
crítico da referida teoria e atribui-o a raiz do assunto ao
desenvolvimento da tecnologia. [xxii]
Como se tem explicado, a teoria da Transição Demográfica surge a partir
da experiência dos países desenvolvidos; sua viabilidade para os países
do Terceiro Mundo é objecto de constante discussão, porém e apesar de
que a mesma se tem demonstrado ser sólida e generalizadora, ainda não é
possível afirmar que explique a transição dos estádios populacionais dos
países desenvolvidos e seus defeitos, abre interrogações sobre baixo que
condições estão alcançando este grupo de nações as descendentes taxas de
natalidade e um ritmo de crescimento total cada vez mais moderado. O
fato de que os efeitos de dita teoria (redução da mortalidade e
natalidade) se alcancem, já não pelo desenvolvimento socioeconómico,
senão por factores externos (introdução de descobrimentos científicos e
médicos do mundo desenvolvido, anti concepção), proporciona o debate.
Também outras correntes da região afirmam a presença, dentro de um mesmo
país, de dois transições demográficas: a que experimentam as classes
altas e medias, mais escolarizadas e com maiores recursos económicos,
que já finalizam a chamada transição; e outra correspondente as classes
baixas, ainda nas primeiras faces da transição, e que acedem a ela de
forma exógena, ou seja, por difusão dos avanços médicos, técnicos ou por
difusão dos patrões reprodutivos das classes altas e medias (Erviti
Diaz, 1998).
Realmente, a teoria da transição demográfica foi enriquecida por um
conjunto de autores no âmbito mundial, especialmente depois da Segunda
Guerra Mundial, e os científicos da região latino-americana não ficam
detrás neste sentido, fundamentalmente os do Centro Latino-americano de
Demografia. (CELADE)
Os especialistas de CELADE[xxiii] e outros autores têm tido elaborado um
modelo sintetizado da transição demográfica para América Latina, que
distingue quatro etapas evolutivas segundo as condições de
desenvolvimento económico e os níveis de mortalidade e fecundidade.
Assim, a chamada Transição Incipiente (Grupo I) caracteriza aos países
com uma alta mortalidade e natalidade e crescimento natural moderado da
população do 2,5 porcento, o que da lugar a populações muito jovens e
com uma alta relação de dependência. A “Transição Incipiente” subsiste
como dramática realidade em muitos países do chamado “Terceiro Mundo” e
não “em sociedades remotas e asiladas”[xxiv]
A “Transição Moderada” (Grupo II) a define pelas seguintes
características: uma taxa alta de natalidade e uma mortalidade moderada
o que da lugar a um crescimento natural da população rápido muito perto
do 3,0 porcento. Este processo relaciona-se com um desenvolvimento
económico incipiente acompanhado duma ostensiva melhoria da nutrição e a
sanidade pública que a sua vez traz aparelhado um abaixamento da taxa de
mortalidade sem que influa igualmente na diminuição da natalidade. Uma
peculiaridade da baixa taxa de mortalidade é sua ocorrência sobretudo em
idades cedo. Como resultado das altas taxas de natalidade e uma
mortalidade moderada produz-se um rejuvenescimento das estruturas por
idades e uma elevada taxa de dependência juvenil.
A “Plena Transição Demográfica” (Grupo III) corresponde aos países que
já alcançaram uma natalidade moderada e uma mortalidade baixa e, em
consequência, um crescimento natural moderado perto aos 2,0 porcento. O
desenvolvimento económico sustenido, a expansão da urbanização e a
educação provocam uma redução da mortalidade infantil e da natalidade o
que induz a muitas parelhas a desejar uma família menos numerosa. Por
sua parte, é forte o impacto dos avances em matéria de saúde sobre as
mudanças nas taxas de mortalidade e fecundidade.
Nesta etapa do desenvolvimento o crescimento da população pode ser
rápido, mas com uma clara tendência à desaceleração. A estrutura por
idades é ainda jovem, embora observa-se uma leve diminuição no índice de
dependência juvenil, devido a que a redução da fertilidade é ainda
incipiente. Pelo geral, nestes países já existiu um forte processo de
urbanização.
Por último, a “Transição Avançada” (Grupo IV) corresponde a todos
aqueles países com natalidade baixa, mortalidade moderada e um
crescimento natural bem baixo da ordem do 1,0 porcento e as vezes menos.
O desenvolvimento económico e a urbanização acelerada com suas
consequências direitas; influencia além a taxa de ocupação entre homens
e mulheres o que determina uma maior propensão ao controlo da natalidade
e a redução do número de filhos por mulher a dois aproximadamente, por o
que o crescimento neto da população tende a cero.
Na América Latina por exemplo, até mediados dos anos 60, o decrescimento
da mortalidade frente as taxas de fertilidade que já estavam elevadas,
produz altas taxas de crescimentos da população, mas começa a decrescer
ao finalizar o decénio dos 70, produto principalmente duma baixa da
fertilidade. Este fenómeno estendeu-se à maioria dos países e ao
interior destes duma maneira gradual e estratificada começando pelos
sectores de maior nível de escolarização das áreas urbanas e depois
estendeu-se para as de menor nível de instrução das zonas rurais.
(Erviti Díaz, 1998).
Na década dos 80 continua o processo de Transição Demográfica em todos
os países, embora alteram-se alguns aspectos demográficos: composição da
família, nupcialidade, movimentos migratórios, a consequência do período
de crise que sacode a região. A taxa de crescimento relativamente alta
da população media anual para esse período foi de 2,1 porcento (apesar
do decrescimento da mortalidade e a fecundidade) e explica-se pelo
potencial das gerações (coorte) em idades juvenil, cujos nascimentos
ocorreram nos anos precedentes de expansão da natalidade. (Erviti, Díaz,
1998).
De acordo com os critérios expostos mais acima e a um conceito de
“modernização” que se refere as mudanças sociais que ocorreram nos
decénios de 1960 e 1970 e sobre a base dos critérios sobre a economia,
urbanização e educação, alguns especialistas de CELADE tem tido
encontrado que todos os países de América Latina que encontram-se na
fase da transição demográfica avançada apresentam também um nível de
modernização avançado, assim são bicados as dois terceiras partes destes
países que se encontram em plena transição demográfica num nível
intermédio de modernização (parcial e acelerado) junto a outros que tem
uma transição demográfica ainda moderada e finalmente, bicam-se dois
países de transição incipiente com um nível de modernização também
incipiente[xxv] (CEPAL/CELADE, 1993) [xxvi]
É conveniente assinalar que as características da transição demográfica
dependem em grande do marco histórico específico de cada país. Alguns
autores coincidem em indicar, que o comportamento da fecundidade, a
mortalidade e as migrações internacionais dentro de cada pais afectam o
crescimento e a distribuição por idades da população desse país, dando
lugar à diminuição, estancamento o expansão de diferentes grupos que, a
sua vez, articulam demandas diferençadas.
A fertilidade considera-se entre as variáveis da dinâmica demográfica o
factor que mais influencia tem tido neste processo de mudanças, por seu
forte impacto no tamanho das novas gerações, efeito que se traslada com
os anos aos diferentes grupos de idades. É conhecido que o decesso da
fertilidade observado em alguns países de Europa, por debaixo do nível
de reemplazo de seus membros tem tido lugar, não só à diminuição do
crescimento da população, senão também a uma diminuição absoluta de seus
efectivos e incluso a uma provável inversão da pirâmide de idades.
[xxvii]
Em efeito, o modelo de transição demográfica exposto pelos especialista
de CELADE para América Latina e a sequencia das diferentes etapas, não
sempre se explicam pelos mesmos factores, nem os determinantes das
mudanças demográficas actuam de acordo a um patrão idêntico, pois todo
depende do marco histórico concreto em que se encontra cada país. Não
obstante, o decesso da fertilidade marca o início do avanço sustenido da
transição demográfica. Na actualidade, o uso desta teoria por muitos
especialistas em demografia cresce continuamente, já que constitui uma
proposta vigente que permite dar uma explicação da dinâmica demográfica
na sua relação com os factores sociais, económicos e culturais.
O curso tendencial da fecundidade em alguns países deu lugar ao
surgimento de novas correntes teóricas tratando de explicar sua evolução
demográfica, mas não se logra tirar a um lado os fundamentos teóricos
básicos da Teoria da Transição Demográfica, senão que a complementam,
como esboça a Dra. Barrios na sua teses doutoral.[xxviii]
A esta teoria se lhe chama pelos especialistas em demografia
contemporâneos “Teoria da Segunda Transição Demográfica” e foi exposta
por reconhecidos autores como Lesthaeghe e Van de Kaa. Essencialmente
esboça que nos países ocidentais se esta a dar uma série de mudanças
inter – dependentes no terreno das formas de convivência que poderiam
conduzir a dês – institucionalização das relações familiares tais como o
aumento: dos divórcios, da segundas núpcias e das uniões consensuais
junto ao incremento de determinados tipos de lares não familiares, o que
provocaria finalmente um decesso da fecundidade e um aumento dos
nascimentos entre mães não casadas.[xxix]
Em termos gerais, pode-se dizer que ainda segue a polémica no marco
teórico e científico ao redor desta e outras teorias baseadas
fundamentalmente na diminuição continua da fecundidade, porém, alguns
autores mantêm que existe evidencias de que a causa do decesso da
fecundidade parece ser uma combinação de factores económicos, sociais e
culturais.[xxx]
O marco teórico analisado autoriza constatar, na opinião da autora, que
a Teoria da Transição Demográfica permite sistematizar o conhecimento
sobre a forma em que ao longo da história tem tido manifestado a relação
entre a população e o desenvolvimento sócio – económico; que além disso,
esta teoria mostra a constatação histórica das mudanças de altas a
baixas taxas de fecundidade tanto nos países desenvolvidos como nos
subdesenvolvidos. Não obstante, Leon Tabah esboça, ao igual que outros
autores de América Latina e o Caribe que a “Teoria da Transição
Demográfica não deveria considerar-se uma teoria, nem uma lei, senão um
processo pelo qual passam as sociedades quando transitam duma situação
caracterizada por uma fecundidade e uma mortalidade elevada a outra com
fecundidade e mortalidade baixa”[xxxi], pois ainda não foi possível
conceber uma teoria geral para explicar e predizer a dinâmica sócio –
demográfica nas diferentes sociedades. Por ele, o marco teórico
conceptual da teoria da transição demográfica na actualidade, constitui
um espaço aberto à polémica e à confrontação científica.[xxxii]
Situação demográfica actual em Angola e em particular na província de
Benguela [xxxiii]
Estima-se que, no ano 2002, Angola tenha uma população de cerca de 14
milhões de habitantes, com uma taxa de crescimento média anual, entre
1975 e 2000, estimada em 3,1 porcento. A esperança de vida à nascença é
de 46 anos, sendo de 41,6 a probabilidade de, à nascença, um indivíduo
não sobreviver para além dos 40 anos. Esta situação reflecte as
elevadíssimas taxas de mortalidade infantil (150 em 1.000 nascimentos) e
de mortalidade infanto-juvenil (250 em 1.000 nascimentos). A taxa de
fecundidade é das mais elevadas do mundo, tendo atingido os 7,2 por
mulher. A situação de guerra, as condições específicas de Angola, em que
um terço da população se encontra deslocada ou refugiada, as marcas
culturais e tradicionais do país, para além da ausência generalizada de
protecção social na velhice, poderão estar na base de uma taxa de
fertilidade tão elevada.
Uma outra face desta situação é a extrema juventude da população, em que
50 porcento tem menos de 15 anos e 40 porcento menos de 10 anos. Somente
2 porcento da população tem 65 anos ou mais. A mediana da população
angolana é só de 15 anos e a média 20 anos, sendo de 19 anos em Luanda.
Esta estrutura etária determina uma elevada dependência da população
activa e, a médio prazo, uma oferta de mão-de-obra crescente.
Por outro lado, num contexto de integração nacional e de abertura dos
canais de circulação das pessoas do pós-guerra, o VIH/SIDA apresenta-se
como uma ameaça importante a considerar do ponto de vista demográfico,
que poderá pôr em causa os esforços de desenvolvimento económico e
social. A prevalência do VIH foi estimada em 5,7 porcento, em 2001.
Apesar de elevada, esta taxa está ainda aquém dos níveis da região, e
abaixo da média da África Subsariana (9 porcento), o que é devido em
parte à situação de clausura e contenção dos movimentos da população
causados pela guerra que travaram a propagação do vírus.
No entanto, experiências desta região de África que registam as mais
altas taxas de prevalência do mundo (39 porcento no Botswana, 23
porcento na Namíbia e 20 porcento na África do Sul) demonstram que
Angola tem todos os condicionantes sociais de uma situação pós-conflito
para poder vir a sofrer um forte crescimento da epidemia, devendo a
questão do VIH/SIDA ser considerada prioridade para garantir o
desenvolvimento do país. Neste contexto, é também preocupante o perfil
juvenil da população, dado que os jovens constituem o potencial
produtivo económico do país sendo também os mais vulneráveis à
transmissão do VIH que causa o SIDA.
Estima-se que em Angola que existem actualmente mais de 350 mil pessoas
vivendo com o vírus que causa o SIDA. O número de novos casos anuais de
SIDA, entre aqueles que vivem com o VIH, situava-se em 21 mil indivíduos
em 2001.
Segundo os cálculos mais recentes[xxxiv], prevê-se que a taxa de
prevalência atinja entre 8,4 e 9,9 porcento em 2005, e entre 12,5 e 18,8
porcento em 2010. Isto significa, que o número de pessoas vivendo com
VIH/SIDA deverá aumentar para cerca de 638 a 749 mil indivíduos em 2005,
e 1,08 a 1,65 milhões de indivíduos até 2010. O número de novos casos de
SIDA deverá aumentar até 45 a 49 mil casos em 2005, e 89 a 118 mil novos
casos até 2010. Quanto ao número acumulado de mortes devidas ao SIDA,
estima-se que este atinja entre 200 e 204 mil em 2005, e 516 a 582 mil
até 2010. Estes valores também indicam que a esperança de vida, estimada
em 46 anos em 2001, venha a decair progressivamente ao longo da década,
devendo atingir valores da ordem dos 39,5 a 42,5 anos até 2010.
Outro dado importante diz respeito ao número de mortes devido ao SIDA
entre crianças, que se estimava em 6 mil em 2001, e que se prevê vir a
atingir entre 12 e 14 mil mortes em 2005, e entre 22 e 31 mil mortes em
2010. O número de órfãos devidos ao SIDA, estimado em 84 mil crianças em
2001, poderá atingir entre 427 e 492 mil crianças em 2010.
Devido às características sócio – económicas da população angolana e às
deslocações internas crescentes de pessoas produto ao estabelecimento da
paz, estima-se que um forte crescimento da epidemia possa ocorrer no
país ao longo dos próximos anos. Neste contexto, o VIH/SIDA apresenta-se
como um dos factores mais críticos para o desenvolvimento nacional e de
afectação ao processo demográfico em particular na estrutura por idade e
sexo da população.
O aumento da circulação de pessoas como resultado de abertura das vias
rodoviárias, do regresso dos refugiados e da abertura das fronteiras com
os países vizinhos (que são de facto os países com mais elevados índices
de prevalência da região da África Austral) poderá constituir uma forte
ameaça para a contenção do vírus. Para além deste factor, a
vulnerabilidade da população angolana face à epidemia do VIH/SIDA
resulta de outras características sócio – económicas e culturais das
quais são de destacar: o perfil jovem da população; os baixos índices de
desenvolvimento humano que reflectem o baixo nível de segurança
alimentar, o baixo grau de instrução, e em particular o baixo nível de
conhecimento sobre o SIDA e as suas formas de transmissão, condições de
higiene precárias e ainda as dificuldades de acesso aos serviços
sanitários; para além de factores de natureza sócio comunitária
associados com os usos, costumes e crenças da comunidade.
Outro dos aspectos que influenciam sobre as variáveis da dinâmica
demográfica é precisamente o sistema de saúde. Neste sentido na
Estratégia de Combate à Pobreza (ECP) indica-se que o estado de saúde da
população angolana é muito débil, em parte devido à guerra prolongada
que destruiu e conduziu à degradação da rede de infra-estruturas
sanitárias e da prestação de cuidados de saúde, e devido também a
factores transversais como o estado de pobreza da população, os níveis
de saneamento do meio, a disponibilidade de água potável e a
insuficiente de alimentos com valor nutritivo adequado.
Desde o ponto de vista epidemiológico o país é caracterizado por doenças
transmissíveis e parasitárias com destaque para a malária, o VIH/SIDA, a
tuberculose e tripanossomíase (doença do sono) e a má nutrição. Estas
doenças são responsáveis por mais de 70 porcento das mortes. A malária
mantém-se como a principal causa de morte em Angola e é responsável por
cerca de 35 porcento da procura de cuidados curativos, 20 porcento de
internamento hospitalar, 40 porcento das mortes peri – natais e 25
porcento de mortalidade materna. O sarampo é tido como a quinta causa de
morte.
As taxas de mortalidade infantil e infanto-juvenil são das mais elevadas
do mundo, situando-se, em 2001, em respectivamente, 150 e 250 mortes por
cada 1.000 crianças. As principais causas de morte são a malária,
diarreia, infecções respiratórias, anemias, sarampo e mal – nutrição.
Esta situação reflecte a falta de acesso a alimentos com o necessário
valor nutritivo e a água potável, o mau estado de saneamento do meio, e
o baixo acesso aos serviços de base de saúde preventiva e curativa.
Assim tem-se que a taxa de mortalidade materna é também muito elevada,
situando-se em 1.500/100.000, segundo dados de 1995. A principal causa
de morte materna é a malária, hemorragias, eclampsia, abortos inseguros
e complicações de parto. Estas causas estão associadas à falta de acesso
a serviços de saúde reprodutiva de qualidade e a baixo custo.
Tal como foi já referido, em parágrafos anteriores, o país tem uma taxa
de prevalência de VIH/SIDA de 5,7 porcento. Apesar desta ser
relativamente baixa em comparação com os países da região teme-se que,
com o aumento da circulação de pessoas e com o regresso dos refugiados
em países vizinhos que têm taxas de prevalência superiores, o VIH/SIDA
se possa vir a propagar rapidamente pelo território nacional.
Relativamente à rede sanitária, existem em Angola 27 hospitais nacionais
e provinciais[xxxv], dos quais 10 se situam em Luanda, 291 centros de
saúde e hospitais municipais e 934 postos de saúde. Estima-se que menos
de 35 porcento da população tenha acesso a instalações de saúde em
condições de funcionamento, localizadas a menos de cinco quilómetros do
local onde residem. Uma parte substancial das infra-estruturas e
equipamento existentes encontram-se em estado avançado de degradação por
falta de manutenção e de renovação.
Segundo os dados mais recentes, cerca de 40 centros de saúde e 209
postos de saúde não se encontram em funcionamento, apesar de muitos mais
sofrerem de sérios problemas de funcionamento devido, nomeadamente, à
falta de técnicos qualificados e à ausência de um sistema regular de
abastecimento. Há, de facto, uma carência forte de equipamento básico de
diagnóstico, medicamentos essenciais, equipamento de transporte e
comunicações, entre outros materiais essenciais.
A guerra afectou não apenas a rede de infra-estruturas sanitárias mas
também teve um impacto significativo na distribuição geográfica dos
profissionais de saúde e na formação de novos quadros. Estima-se que
Angola possua cerca de 45.500 trabalhadores de saúde, dos quais 25.000
são pessoal administrativo e auxiliar (cerca de 55 porcento) e apenas
1.000 são médicos (dos quais 25 porcento são estrangeiros, a operar nas
várias províncias). Isto significa uma cobertura de quase 14.000 pessoas
por médico. Cerca de 70 porcento dos médicos encontram-se localizados em
Luanda. É de salientar ainda que os cursos de graduação, reciclagem e
formação em serviço beneficiaram apenas uma minoria dos profissionais de
saúde.
Esta situação permite dar uma caracterização geral dos problemas actuais
sobre o comportamento das taxas de mortalidade e como já assinalou-se em
parágrafos anteriores de acordo com a teoria da Transição Demográfica,
uma das primeiras questões que tem que cambiar para mudar para etapas
mais avançadas é precisamente os factores que determinam a mortalidade,
neste caso a estrutura interna de redes sanitárias, a introdução dos
avanços da ciência e técnicas medicas, a criação de novos hospitais, a
formação de novos especialistas nas áreas de saúde em geral, tais como
médicos, enfermeiros, técnicos especializados e outros.
O país é igualmente caracterizado pela elevada taxa de fecundidade,
estimada em 7,1 porcento, que resulta do facto dos jovens se iniciarem
precocemente na actividade sexual e no baixo uso de métodos
contraceptivos. De acordo com os dados do MICS, 33 porcento das jovens
foram mães antes de atingirem os 18 anos de idade. Este facto concorre
também negativamente para os baixos indicadores de saúde materno –
infantil.
No processo demográfico é conhecido a estreita relação existente entre a
fecundidade e seus determinantes próximo fundamentalmente com os
problemas culturais e a educação para além de outros que influenciam de
uma forma ou outra sobre o número médio de filhos por mulher.
Neste contexto de argumentos, os indicadores educacionais situam a
Angola entre os países mais baixos da África Subsariana. A taxa de
analfabetismo para a população com idade superior a 15 anos era, em
2000, de 58 porcento, contrastando com uma média de 38 porcento para
toda a África Subsariana, segundo os indicadores das Nações Unidas.
Outros resultados das Nações Unidas apontam, contudo para valores mais
reduzidos da ordem dos 33 porcento para a população com mais de 15 anos.
A taxa de analfabetismo da população feminina é mais elevada (46
porcento), chegando a atingir valores acima do 70 porcento para mulheres
pertencentes ao quintil sócio – económico mais pobre. As elevadas taxas
de analfabetismo nas mulheres é uma situação muito preocupante dado que
o nível educacional da mãe tem uma forte influência na educação da
criança e no bem-estar do agregado familiar.
Para além da fraca cobertura do ensino, seu desempenho é também muito
baixo. A taxa de reprovação escolar é extremamente elevada nos três
níveis de ensino (da ordem dos 30-35 porcento). Esta situação não
somente aumenta os custos do sistema, na medida em que a permanência se
torna maior, como também impede novas entradas devido à limitação da
rede. A taxa de abandono é também muito elevada, situando-se em média
acima de 30 porcento.
O fraco desempenho observado nos três níveis de ensino deve-se
essencialmente às condições inadequadas das instalações escolares, ao
insuficiente número e baixa qualificação dos professores e à limitada
disponibilidade de material didáctico de apoio. É ainda de salientar que
o desempenho das raparigas tende a ser menor.
Em soma, o sistema educativo em Angola apresenta-se ainda, em grande
medida, ineficaz, devido essencialmente à fraca qualidade e quantidade
dos recursos materiais e humanos disponíveis. Esta ineficácia é
reflectida pelas baixas taxas de escolarização (estima-se que mais de um
milhão de crianças em idade escolar fora do sistema de ensino), pelos
elevados índices de reprovação e abandono escolar e pelas baixas taxas
de promoção e retenção. A fraca qualidade do ensino reflecte-se no baixo
nível de conhecimentos adquiridos pelos alunos após a conclusão de um
nível de ensino.
Sem dúvidas, os aspectos antes assinalados relativos ao processo de
ensino, afecta ou influencia sobre a cultura, a mortalidade sobre tudo
na prevenção de SIDA e na fecundidade como um determinante próximo muito
forte.
Os sucessivos conflitos armados que assolaram o país desde a
independência promoveram fluxos migratórios permanentes e acelerados das
áreas rurais para os centros urbanos. Os grandes fluxos acelerados e
involuntários tiveram lugar: aquando da independência, no período
1975-76; após a assinatura dos acordos de paz de Bicesse e posterior
reacender do conflito em 1992-93; após a assinatura dos acordos de paz
de Lusaka, em 1994-95; e entre finais de 1998 e 2000 com o reacender e
generalização do conflito. Como consequência directa dos conflitos
armados, milhões de angolanos, principalmente nas áreas rurais, foram
privados de viver em segurança e em paz, tendo sido vítimas directas de
graves violações dos direitos humanos.
Vagas sucessivas de populações das áreas rurais foram obrigadas a deixar
as zonas onde habitualmente residiam devido às violações de direitos
decorrentes do conflito, devido ao medo provocado pelas condições de
insegurança ou ainda pelas carências extremas de alimentos que ameaçavam
a sua sobrevivência.
No período entre a independência de Angola e os acordos de Bicesse,
quando a guerra estava concentrada nas áreas rurais remotas, a
deslocação tendia a ser muito localizada, implicando normalmente
movimentos de curta distância entre aldeias e as sedes municipais. A
dimensão do conflito depois de Bicesse provocou deslocações
populacionais mais intensas, resultando num influxo de pessoas das áreas
rurais para as capitais provinciais e das regiões do interior para as
cidades do litoral, onde havia mais segurança. Quando dos acordos de
Bicesse, estavam controlados cerca de 800.000 deslocados. Com o
reacender do conflito armado, após as eleições de 1992, a estimativa da
população que abandonou as suas áreas passou a cifrar-se entre 1,3 e 2
milhões de deslocados.
Estima-se que após os acordos de paz, em 2002, existissem cerca de 4
milhões de angolanos deslocados das suas áreas tradicionais de
residência e de exercício da actividade económica, cerca de 30 porcento
do total da população. Decorridos um ano de paz efectiva, estima-se que
mais de um milhão de deslocados tenham regressado voluntariamente às
suas áreas de origem, existindo ainda cerca de 2,2 milhões de deslocados
internos, 450.000 refugiados em países vizinhos, 85.000 ex-militares da
UNITA desmobilizados e 360.000 dependentes que é necessário reinserir na
vida económica e social.
Como resultado dos processos migratórios acelerados e involuntários
verificam-se, entre outros, os seguintes efeitos:
Um processo de depauperação repentino e continuado das populações
deslocadas, muitas delas vivendo em áreas urbanas ou suburbanas;
Uma pressão sobre as infra-estruturas sociais urbanas já de si saturadas
e insuficientes para cobrir as necessidades das populações urbanas e
suburbanas de origem;
Uma pressão sobre os mercados de trabalho com o intenso influxo de
mão-de-obra, maioritariamente sem formação profissional, provocando a
expansão do sector informal da economia e uma quebra dos salários e
rendimentos médios nesse sector e no mercado de mão-de-obra formal não
especializada;
Uma ruptura dos mecanismos de protecção familiar, que tinha nos membros
rurais das famílias urbanas alargada de primeira geração um suporte
importante à dieta alimentar em troca de acesso dos primeiros aos bens
industriais;
Uma fragmentação social pela ausência ou deficiente funcionamento dos
mecanismos de segurança social comunitário presentes nas áreas rurais,
da qual o fenómeno de crianças de rua e na rua é exemplo; e o aumento do
desemprego e sub-emprego urbanos[xxxvi].
Os processos de urbanização acelerada não foram homogéneos. As
populações em processo de deslocamento refugiaram-se largamente nos
centros urbanos capitais de província e também na capital do país. Os
processos de migração tiveram ainda várias etapas com famílias migrando
várias vezes de um local para outro. Os centros urbanos capitais de
município não foram os grandes receptores das vagas migratórias por
causa da sua instabilidade militar levando a que, de facto, as cidades
médias, capital de províncias e a capital do país recebessem o maior
contingente de população essencialmente rural.
Um outro fenómeno demográfico importante prende-se com o facto de que
uma ampla parte das elites provinciais terem emigrado ou para as cidades
do litoral[xxxvii] ou para a capital do país. As implicações deste
fenómeno sobre os processos de desenvolvimento são substanciais pois sem
elites técnicas e empresariais as possibilidades de desenvolvimento
rápido e sustentável a nível provincial e local ficaram bloqueadas e
futuramente serão muito mais difíceis. Contudo, a concentração do poder
económico, político e técnico, em especial na capital do país, foi
acompanhada também pela maior concentração da pobreza. Dentro da
capital, verificam-se contrastes substanciais entre o nível de
rendimento da população.
Em contraste, algumas cidades, capitais de província, do interior do
país foram sujeitas a processos continuados de dês-urbanização e
empobrecimento desde a independência. Estas são caracterizadas,
nomeadamente, por: ausência regular no fornecimento de electricidade a
todos os bairros das cidades mesmo aqueles que estão conectados à rede
eléctrica, com os bairros mais pobres com acesso raro à electricidade;
sistemas de abastecimento de água potável danificados, alguns deles
ainda em fase de arranque da sua reabilitação; degradação dos serviços
públicos, em particular do equipamento social público de educação e
saúde; dês-industrialização pela destruição e danificação massiva dos
equipamentos e infra-estrutura física e perda de elites técnicas;
destruição dos mecanismos de comércio urbano e rural formal, levando a
uma fraca integração das economias locais.
Não existem estimativas seguras sobre o grau de concentração urbana da
população angolana. O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2002, das
Nações Unidas, estima a população urbana, em 2000, em 34 porcento,
embora se acredite que esta tenha aumentado nos últimos anos para cerca
de 60 porcento.
Uma outra característica demográfica digna de referência é o facto dos
agregados familiares serem constituídos em média por 5 e 6 elementos.
Adicionalmente, de acordo com os resultados do Inquérito sobre
Indicadores Múltiplos (MICS), realizado em 2001, 35 porcento dos
agregados familiares são constituídos por 6 ou mais elementos.
No caso da Província de Benguela às estatísticas da população variam
segundo a fonte. As Autoridades trabalham, actualmente, com uma
população estimada em dois milhões de habitantes sendo o município de
Lobito o de maior número de habitantes representando o 38,2 porcento
seguindo muito perto por o próprio município de Benguela com uma
proporção estimada do 24,3 porcento. [xxxviii]
A densidade demográfica da província de Benguela XE "Benguela"
corresponde a uma das mais elevadas (48,4 hab/km2) respeito ao País
cuja densidade populacional média é de 10 habitantes por km2 (admitindo
uma população estimada em 12 milhões de habitantes). Devido à situação
de guerra, a população urbana (53 porcento) é superior à população rural
(47 porcento). Na sua maioria é do grupo étnico – linguístico Ovimbundu,
com vários subgrupos tais como: Mumdombe, Muhanha, Ganda, Lumbo e
Quilengues.[xxxix]
Como aliás no resto do País a população de Benguela XE "Benguela" , está
representada através de uma pirâmide de base larga, cerca de 50 porcento
tem menos de 15 anos,[xl] e uma fraca participação de maiores de 65
anos. [xli]
A evolução registada na população (estimada em 1.928.140, em 1999) é, em
grande medida, uma consequência do considerável número de deslocados que
têm afluído à Província, à procura de melhores condições de vida. Com
efeito, a Província tem o registo actual de cerca de 429.285 deslocados
dos quais 279.529 são antigos deslocados[xlii] e 149.756 novos
deslocados[xliii]. Desse total de deslocados 186.737 são crianças (dados
do GOB relativos a Dezembro/99).
Em conseqüência da guerra, estão contabilizados cerca de 7 mutilados
(portadores de deficiência), 798 crianças dele na rua[xliv] e cerca de
7.000 desmobilizados das Forças Armadas Angolanas e da UNITA (Segundo
Relatório do MINARS/Benguela XE "Benguela" - 1999).[xlv]
Por outro lado e segundo os dados que se oferecem do "Perfil de pobreza
XE "pobreza" em Angola" (INE - Gabinete de Monitorização das condições
de vida da população, com apoio do Banco Mundial e UNICEF, 1996), 12,2
porcento da população da Província é analfabeta, contra 13,9 porcento da
Província de Luanda, enquanto que a taxa de abandono escolar XE
"abandono escolar" se situa nos 14,1 porcento, contra 9 porcento na
capital. Os adultos com mais de 39 anos de idade são os mais abrangidos
pelo analfabetismo. O sexo feminino tem uma taxa de analfabetismo de 23
porcento, enquanto o sexo masculino tem uma taxa de 19,4 porcento. Das
taxas de abandono escolar, a maior percentagem é de meninas (56,4
porcento) e são mais elevadas nos agregados familiares mais pobres XE
"mais pobres" .
Finalmente, a situação demográfica actual de Angola é muito difícil,
possivelmente encontre-se em uma das primeiras etapas da Teoria da
Transição Demográfica, no entanto, a partir da firma ou os acordos de
paz do país, tem desenvolvido tudo um processo de inversões tanto no
económico como o social, o qual avança a passos muitos rápidos. São
vários os países do mundo que tem invertido capital nesse país com o
único fim de obter avanços positivos na sociedade angolana. Nos próximos
20 anos podem acontecer câmbios substanciais nos problemas económicos e
demográficos no país.
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Referências Bibliográficas
[i] O PNUD elaborou desde os anos 90 este conceito como um índice único
e integrador de distintos indicadores económicos e sociais que serve
para medir e diferenciar aos países e regiões do planeta. “O
desenvolvimento humano é um processo mediante o qual ampliam-se as
oportunidades dos indivíduos, as mais importantes das quais são uma vida
prolongada e saudável, acesso ao educação e o desfrute num nível de vida
decente. Outras oportunidades incluem a liberdade política, garantia dos
direitos humanos e o respeito a sem mesmo (…)” Desenvolvimento Humano
1990. PNUD. Ed. em Colômbia, 1990, p. 33
[ii] Ver uma análise multilateral sobre esta questão no livro de M.
Todaro “O desenvolvimento Económico do Terceiro Mundo”. Ed. Cubana,
1988, tomada da edição em inglês: New York, 1984.
[iii] Todaro, M.P. “O Desenvolvimento Económico do Terceiro Mundo”. Ed.
New York, 1984, Cap. 6, p. 238 em espanhol.
[iv] Ver palavras de F. Castro Ruz na Cumbre Sur e documentos finais de
dita reunião. Jornal Granma de Júlio de 2000.
[v] Ver a Fucaraccio A. em “A população e o Desenvolvimento no
Pensamento de A. Smith e R. T. Malthus” Centro Latino-americano de
Demografia” (CELADE). Santiago de Chile, 1995, p. 10
[vi] Cita tomada de Cerrado Gini em “Teorias da população” Ed. Madrid,
1932, p. 5
[vii] Ver Fucaraccio A. Ob. Cit., p. 9
[viii] Todaro, M. P. 1984, Ob. Cit. Cap. 6, p. 240
[ix] Em o Capitulo 23 do Tomo I Do Capital, C. Marx dedica um amplio
espaço ao estudo da acumulação capitalista e sua articulação com a
população laboral. O problema que debate esta orientada a demonstrar a
formação do “exército industrial de reserva” como condição indispensável
do modelo capitalista de desenvolvimento e o carácter bipolar da
distribuição da riqueza. A riqueza está conectada finalmente, com uma
visão mais ampla da população que não foi um objectivo específico de seu
estudo.
[x] Marx C. “O Capital” Tomo I. Ed. C. Sociais, A Havana, Cuba, 1993,
pp. 575 – 576.
[xi] Ver a J. Finkle and B. Crane em “The politics of Bucharest:
Population, devolpment and the new international economic order”.
Population and Devolopment Review 1. No. 1, 1975, pp. 87 – 114.
[xii] Ver de Nancy Birdsall: “Analytical Approaches to the relationship
of population growth and development” no livro The Struggle for Economic
Development. Population and development Review, no. 2, 1984, tomado de
Todaro, M. P. “O desenvolvimento económico do Terceiro Mundo”. Ob. Cit.,
p. 243
[xiii] Para mais detalhe ver Ervitti Diaz, B (1998) “População e
desenvolvimento”. Centro de Estudos Demográficos (CEDEM), A Havana,
Cuba.
[xiv] Todaro, M. P. Ob. Cit., p. 248
[xv] Ver: Samuelson, P. Economía. Parte VII. Decimocuarta edición.
Reproducción. S/F, p. 840; a Livi, M. en “La transición demográfica en
A. Latina y el Caribe”. Vol. I, Primera Parte. CELADE. (Fotocopia).
Chile, 1993, pp. 13-24; a Patarra, N. en “La transición demográfica en
A. Latina y el Caribe”. Vol. I, primera parte. (en portugués). CELADE.
(Fotocopia), 1993, pp. 151-165.
[xvi] Zavala de Cosío, (1992) “A Transição Demográfica em América Latina
e Europa”, Notas de población, No. 56. Santiago de Chile. Chile.
http://www.eclac.cl
[xvii] Tomado de “A Transição Demográfica em América Latina”, Artigo
publicado em Internet http://www.eclac.org, 2000 (em espanhol)
[xviii] Castillo, J (2000) “Problemática do desenvolvimiento nos países
pobres. Uma aproximação Teórica”. Publicado en Internet, Portal Alter
Mundo
[xix] Tomado de “A Transição Demográfica em América Latina”, Artigo
publicado na Internet http://www.eclac.org , 2000
[xx] Barios, O, Ob. Cit. Tesis doctoral, CEDEM, La Habana, 2000. p. 9
[xxi] Hernández Castellón, Dr. R. “O processo da revolução demográfica
em Cuba”, p. 8.
[xxii] Hernández Castellón, Dr. R. Ob. Cit, p. 10
[xxiii] Chackiel J y Schkolnik, 1992. “População, equidade e
transformação produtiva”. NU, 1992. CELADE, Santiago de Chile, 1993, pp.
35-76
[xxiv] Samuelson, P. Economía. Ob. Cit., p. 844
[xxv] Para obter mais informação pode consultar as seguintes fontes:
Comissão Económica para América Latina y o Caribe (CEPAL-CELADE).
“Transformação ocupacional e crises social em América Latina”. Santiago
de Chile, 1989. Publicações de Nações Unidas. População, Equidade e
Transformação produtiva, Santiago de Chile. 1993. Diagrama I. 2, p. 20
[xxvi]Tomado de “A Transição Demográfica em América Latina”, Ob. Cit,
s/p. http://www.eclac.org, 2000
[xxvii]Tomado de “A Transição Demográfica...”, Ob. Cit, s/p.
[xxviii] Actualmente Directora do Centro de Estudos Demográficos de
Cuba, adjunto a Universidade da Havana (2001).
[xxix] Barrios, Dra. O, (2000), Ob. Cit, p. 13
[xxx] Barrios, Dra. O, (2000), Ob. Cit, p. 13
[xxxi] León T. (1989) “Duma transição demográfica a outra”, Boletim de
População das Nações Unidas, No. 28. Santiago de Chile. Chile, p. 1
[xxxii] Barrios, Dr. O. (2000) Ob. Cit, p. 15
[xxxiii] Na sua grande maioria as notas reflectidas no capítulo sobre o
contexto demográfico actual em Angola são tomadas do documento emitido
pelo Ministério de Planeamento do Estado e que foi publicado 11 de
Setembro de 2003. “Estratégia de Combate à Pobreza”.
[xxxiv] Estudo sobre o impacto económico e social do VIH/SIDA em Angola,
elaborado pelo PNUD/UNICEF, com publicação prevista para Julho de 2003.
[xxxv] Os Hospitais Nacionais têm um nível de intervenção muito variado,
indo desde um Hospital Geral até um Centro Especializado.
[xxxvi] ECP, Op. Cit, S/P, Angola. Luanda
[xxxvii] Com a excepção da cidade do Lubango, capital da província da
Huíla, no sul do país.
[xxxviii] Para mais informação ver o Trabalho de investigação
apresentado no âmbito da Cadeira de PALOP por a MsC. Alicia Cabral cujo
título é “O fenómeno do empobrecimento urbano e suburbano em Angola” em
suporte magnético, página Nº 63.
[xxxix] MsC. Alicia Cabral, Op. Cit p. 65
[xl] Saliente-se que a média nacional é de cerca de 45 porcento.
[xli] Fonte: Instituto Nacional de Estatística, Boletim Demográfico nº
9, 1991, referenciado pela autora MsC. A. Cabral
[xlii] Deslocados antes das eleições de 1992.
[xliii] Deslocados depois das eleições de 1992.
[xliv] Para apoio as crianças de rua XE "crianças de rua" , existem 7
centros de acolhimento e 4 lares de infância.
[xlv] MsC. A. Cabral, Ob. Cit. p. 68.
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Profesor Titular
Especialista en Estadística Matemática, Econometria y Demografía.
Cuba
Lic. Victória Juliana Jorge Matos
Especialista en Geografía
Angola
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