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1. Introdução
Na atualidade, todas as empresas, em especial aquelas participantes do
Agronegócio Brasileiro, devem ser gerenciadas com o maior rigor e
competência técnica.
A evolução das economias nacional e internacional, na ordem
macroeconômica orientada pela globalização, impõe às empresas variações
nos preços, nos insumos e nas formas de comercialização, que resultam em
fortes oscilações na expectativa dos empresários, nos resultados
econômicos e na rentabilidade de sua empresa. Os produtores que não se
adaptarem às novas realidades permanecerão, definitivamente, fora desse
novo mercado globalizado. Os baixos preços dos produtos, resultantes
principalmente da introdução de novas tecnologias e do oligopsônio na
venda de sua produção, o aumento dos preços dos insumos dentro de um
setor oligopolista, as estruturas e os custos financeiros com taxas
reais de juros mais altas do mundo e, por último, a alta carga
tributária praticada na cadeia do agronegócio, são alguns fatos da
atualidade que os produtores devem enfrentar com objetividade e gestão
eficaz.
Esta característica econômica e a situação própria da produção tais como
escalas
produtivas pouco e mal utilizadas, altas retiradas do empresário,
endividamento que
pode inviabilizar o futuro da empresa, pouca capacidade de gerenciamento
e falta de
planejamento sustentável da propriedade para enfrentar períodos de
preços baixos e
custos altos, aumentam o risco da produção.
Na grande maioria, as empresas agropecuárias são familiares e não existe
uma clara
distinção entre funções familiares e empresariais. Outrossim, o esforço
necessário para dirigir uma empresa agropecuária é hoje muito mais
complexo, exigindo mais dedicação do produtor em quantidade e qualidade
do trabalho a ser realizado para o sucesso de seu empreendimento
empresarial.
Este trabalho apresenta uma descrição global das principais variáveis a
serem
consideradas na atividade agropecuária para condução de um processo de
gerenciamento eficiente.
2. A Empresa e a Família
Normalmente nas empresas familiares não está nada claro a verdadeira
função e
diferenciação entre empresa e família. Estão relacionadas, mas com
funções totalmente diferentes.
Muitas vezes existe uma superposição ente os problemas familiares e os
empresariais.
Ou seja, é difícil determinar claramente a origem dos problemas e as
causas que
osgeraram e assim encontrar as soluções possíveis e necessárias para um
funcionamento equilibrado.
Sempre existiu uma “simbiose” entre a família e a empresa, mas dado a
realidade do
meio econômico e social, as empresas devem ser competitivas, eficientes
e profissionais para enfrentar a complexidade da realidade atual. E por
isso, as relações que mantém unida a família, são diferentes em uma
empresa ativa e rentável. O “desenho” é totalmente diferente, a empresa
deve ser fundamentalmente ligada à capacidade profissional dos
integrantes da família.
Um dos principais objetivos da empresa é a maximização dos benefícios ou
lucros da
atividade para dar sustento econômico e socialmente a todos os seus
participantes.
A empresa agropecuária realiza suas atividades em uma realidade de
múltiplos riscos
(climáticos, financeiros, de mercado, etc.). Um deles é o risco
administrativo ou
gerencial de como manejar ou ter capacidade para conduzir eficientemente
a empresa
num mundo caracterizado pela existência de risco permanente. Por estas
razões, é
importante definir claramente quais serão os direitos e os deveres que
terão cada um dos integrantes da família que “querem” trabalhar na
empresa. Se deve dar ênfase especial às atividades a serem desenvolvidas
de forma clara e precisa, definindo os honorários e/ou retiradas dos “sócios”,
qual será a responsabilidade nas diferentes atividades realizadas e como
deverão ser tomadas as decisões. Por exemplo, formando um Conselho
Consultivo, onde as decisões são realizadas com a participação de
gestores familiares e consultores externos.
Além da organização, é muito importante programar a capacitação dos
integrantes da
família e de seus colaboradores, não somente na área da tecnologia, mas
também na
área empresarial ou de gestão, que é fundamental para o desenvolvimento
sustentável da empresa. Assim, a capacitação aliada e a experiência
vivencial ajudarão e serão
importantíssimas na sucessão familiar para o futuro da empresa.
3. O Processo de Gestão
Hoje podemos afirmar que, de acordo com a nossa experiência, concentrar
esforços
unicamente na produção é uma condição necessária, mas não suficiente. O
resultado de
uma empresa não se define apenas produzindo.
Deve haver uma visão global ou gestão integral da empresa para sua
viabilidade no
futuro. Para isso, são necessárias informações atualizadas e organizadas
para permitir
decidir o uso mais eficiente dos recursos produtivos, para atingir as
metas e os objetivos
traçados no planejamento da empresa.
A Gestão é um PROCESSO circular e dinâmico que se iniciam com a ANÁLISE
e o
DIAGNÓSTICO dos resultados produtivos, econômicos, financeiros e
patrimoniais do
ÚLTIMO exercício, as CAUSAS dos resultados e os recursos produtivos
disponíveis.
O processo se reinicia com a retro-alimentação das informações
produtivas e
econômicas do exercício anterior para o atual.
FUTUROADO
Figura 1 - Processo de Gestão
Em síntese, a análise e o diagnóstico permitem visualizar o passado da
empresa e
conhecer suas limitações e atributos positivos (pontos fortes e fracos).
O
PLANEJAMENTO e a DECISÃO permitem avaliar diferentes alternativas de
produção
no futuro e decidir, estrategicamente, quais serão as melhores opções
econômicas e
financeiras. O processo de decisão deverá estabelecer o desenvolvimento
das
alternativas escolhidas no curto e médio prazos.
A ORGANIZAÇÃO E a EXECUÇÃO do plano de produção escolhido, responde: de
quando, como e por quem serão conduzidos o processo e quais informações
deverão
ser registradas. Durante e ao final do exercício presente se deve
realizar o CONTROLE
e a AVALIAÇÃO dos resultados, dando assim a base para a ANÁLISE e o
DIAGNÓSTICO do próximo exercício.
4. Algumas Estratégias para Administrar o Risco Agropecuário
Risco e certeza são duas palavras antagônicas ou contrárias, normalmente
muito
discutidas no âmbito empresarial. São componentes da gestão empresarial
e depende de
cada um aumentar uma e minimizar a outra.
TIPOS DE RISCO
Os riscos que as empresas agropecuárias enfrentam, podem ser divididas
em dois
grandes grupos: riscos da atividade e riscos financeiros. No primeiro
grupo estão
aqueles onde a variação do resultado surge das características
particulares da atividade e
pelo outro lado, no segundo grupo, estão aqueles que surgem da estrutura
financeira da
empresa.
Os riscos da ATIVIDADE podem se subdividir em:
• Riscos de produção ou riscos técnicos, que são aqueles intrínsecos à
atividade
produtiva, que podem gerar diferentes resultados no produto final, em
qualidade
e quantidade, como por exemplo, riscos climáticos, riscos sanitários,
etc.;
• Riscos de mercado e riscos de preços são as variações nos preços dos
produtos
ou nos insumos durante o ciclo produtivo;
• Risco tecnológico, onde a inovação na tecnologia traz como
conseqüência que
aquelas utilizadas hoje, sejam obsoletas amanhã; e,
• Riscos legais ou sociais que se referem às mudanças que podem ocorrer
na
política impositiva, comercial, creditícia e ambiental.
Os riscos FINANCEIROS podem se subdividir em:
• Riscos de liquidez. Ë o risco que a empresa não pode cumprir com suas
dívidas
de curto prazo. Isto pode levar a um paulatino endividamento em longo
prazo e
pode levar a liquidação ou venda da empresa;
• Riscos de insolvência. É o risco de não poder atender as dívidas ou
obrigações
financeiras pela venda dos ativos. Isto provoca uma não disponibilidade
de
crédito, tendo que desenvolver suas atividades na base exclusivamente
dos
saldos de caixa diários o que impossibilita a reestruturação da parte
financeira da
empresa; e,
• Riscos de não ter reservas creditícia. É o risco de não dispor de
crédito num
momento determinado por ter todas as garantias comprometidas. A empresa
pode reestruturar suas dívidas, pagando suas contas contraídas para
assim obter
novos créditos.
ESTRATEGIAS PARA MANEJAR O RISCO
Uma vez identificados os riscos que podem afetar o projeto da empresa,
se deve então
definir a estratégia ou o conjunto de estratégias para manejar o risco
provável. As
estratégias podem se dividir em PRODUTIVAS, COMERCIAIS e FINANCEIRAS.
Assim descritas:
ESTRATÉGIAS PRODUTIVAS:
- Seleção da atividade produtiva;
- Seleção de onde se desenvolverá esta atividade;
- Diversificação de atividades;
- Uso de tecnologias provadas;
- Seleção de práticas tecnológicas;
- Incentivos ao trabalho bem realizado;
- Sistemas de produção flexíveis para responder à situações de risco; e,
- Melhorias na produção.
ESTRATÉGIAS COMERCIAIS:
- Seleção de atividades com baixa variabilidade nos preços;
- Armazenamento do produto e venda em diferentes momentos;
- Programação de vendas ao longo do ano;
- Fixação de preços com antecipação (mercado de futuros/a termo e opções);
- Contratos para compra de insumos;
- Sistemas de produção flexíveis para responder às situações de risco;
- Integração vertical; e,
- Desenvolvimento de marca.
ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS:
- Diminuição de custos (fixos e variáveis);
- Ter uma maior proporção de ativos como ativos líquidos;
- Fazer coincidir os pagamentos da dívida com a geração de receitas;
- Financiamento a longo prazo (parcelas anuais menores);
- Dispor de margem de endividamento;
- Aumentar o patrimônio em relação à dívida;
- Alugar ou terceirizar ativos (maquinário, equipamentos e terra); e,
- Diversificação do capital (outras opções de investimentos).
Para o nível estratégico, o FOCO é a conquista da EFICÁCIA, que é uma
medida da
obtenção de resultados ficando a EFICIÊNCIA mais relacionada ao nível
operacional
com a utilização dos recursos disponíveis no processo.
Na Tabela 1 se pode observar a diferença entre EFICIÊNCIA e EFICÁCIA. As
gestões
econômica e financeira procuram, em última instância, a atitude pró-ativa
do empresário
para atingir, fundamentalmente, a EFICÁCIA sem descuidar da EFICIÊNCIA.
Tabela 1 – Eficiência e Eficácia, dois conceitos diferentes.
EFICIÊNCIA EFICÁCIA
-Faz corretamente as coisas - Faz as coisas corretas
- Soluciona problemas - Se antecipa aos problemas
- Economiza recursos - Otimiza a utilização dos recursos
- Cumpre obrigações - Obtém resultados
- Diminui custos - Aumenta os lucros
- Sistema fechado - Sistema aberto
- Ganhador - Vencedor
- Visão de curto prazo - Visão de longo prazo
5. Informação da Empresa
O PROCESSO de GESTÃO da empresa agropecuária demanda informação em
qualidade e quantidade dos fatores produtivos disponíveis, dos níveis de
produtividade
atuais e potenciais, da tecnologia utilizada, da capacidade empresarial,
das estratégias
comerciais, dos resultados obtidos, além de outros.
Esta informação serve para SISTEMATIZAR os níveis que são minimamente
necessários conhecer, dada sua importância para o desenvolvimento da
empresa. Assim
sendo, as informações podem ser classificas nos seguintes níveis:
1. Produtiva e/ou técnica;
2. Econômica;
3. Financeira. e,
4. Patrimonial
Tabela 2 - Níveis de informação e exemplos de indicadores da Empresa
INFORMAÇÃO
Produtiva Econômica Financeira Patrimonial
Indicadores kg/ha
Margem Bruta/ha
Custo Direto/ha
Receita Líquida/ha
Resultado Financeiro
Retirada Empresário
Relação
Receita/Gasto
Ativo e Passivo
Patrimônio Líquido
Evolução do
Patrimônio Líquido
Com base nos dados da Tabela 2 e com um mínimo de informação interna é
possível
começar a desenvolver uma adequada gestão da empresa agropecuária, onde
seu
conhecimento deverá ser o objetivo no curto prazo para todos aqueles que
estejam
realizando atividades de gerenciamento.
Em conclusão: hoje, o empresário agropecuário deve responder,
objetivamente, três
questões de maior importância econômica: O QUÉ PRODUZIR, COMO PRODUZIR e
PARA QUEM PRODUZIR?
Em outros tempos, conhecer o “COMO” era suficiente. Hoje, a realidade
com sua
complexidade exigem mais ferramentas para a tomada de decisões.
No processo de produção o antes, o durante e o depois geram uma grande
quantidade
de fatos que influenciam nos resultados da empresa além, é claro, de
outras variáveis.
Desta forma, surgem continuadamente dados, ou seja, elementos que
refletem algum
acontecimento produzido na empresa e que são de grande utilidade no
processo de
decisão e. por isso, são a base fundamental do sistema de informação
(Figura 2).
FATOS PRODUTIVOS, ECONÔMICOS COMERCIAIS, ETC.
DADOS
Figura 2 – Transformando dados em Informação
Como exemplos de dados, podemos citar: quantidade de milho e soja
produzidos,
quantidade de sementes utilizadas na semeadura, dosagem dos herbicidas e
inseticidas
utilizados, receitas geradas pelas vendas do milho e da soja, pagamento
do óleo diesel,
etc.
Como podemos ver, os dados apresentados desta forma não têm muito
significado, são
descritivos. Por isso, os dados devem se transformar em informação que
seja útil e
válida para a gestão econômica e financeira da Empresa. Assim, o
importante é
registrar os dados organizadamente num Controle e no momento em que
forem
produzidos, de tal forma a não esquecer nada do acontecido na empresa.
Quando registramos depois do fato ter ocorrido e nos afastamos do tempo
do processo
que originou o dado, podemos esquecer e tornar o registro com menor
precisão e valor.
Por isso, devemos assumir essa tarefa, que demanda tempo, de registrar o
estritamente
necessário e suficiente para um controle eficiente.
As informações devem classificadas em técnicas ou produtivas, econômicas,
financeiras
e patrimoniais. Isto permitirá uma melhor sistematização, a qual
beneficiará o processo
de tomada de decisão. Assim, os fatos ocorridos na empresa geram dados
que são
recolhidos de forma sistemática e metódica em registros organizados.
Isso permitirá
que, periodicamente, sejam analisados e transformados em informação útil
para avaliar,
decidir e gerar INDICADORES sobre aspectos produtivos, econômicos,
financeiros e
patrimoniais.
6. A Informação Técnica
Segundo os dados da Tabela 2 é necessário, primeiramente, conhecer a
quantidade e a
qualidade dos recursos produtivos com que a empresa conta: terra,
capital e trabalho.
Para isso, é necessário realizar inventários ordenados e detalhados de
cada um dos
fatores de produção.
No caso do recurso Terra é necessário conhecer a quantidade total
disponível para a
produção, a qualidade de seus solos, a capacidade de uso e a condição
atual de uso (área
improdutiva, com solo muito pedregoso, etc.).
Em relação ao Capital, é preciso conhecer a informação sobre
melhoramentos
realizados, maquinário, instalações, gado e estoques de produtos e
insumos, registrando
quantidade, data de aquisição, estado, categoria e tipo de gado.
Em relação aos Recursos Humanos é necessário conhecer a quantidade, o
tempo de
ocupação e a capacidade da mão de obra permanente e temporária.
Deve ser determinado COMO são utilizados os fatores produtivos nas
diferentes
atividades, QUAIS atividades são realizadas, QUANTO de cada um e COMO
estas
são realizadas?
As atividades podem ser divididas em dois grandes grupos:
A. Agricultura: soja, milho, girassol,e algodão; e,
B. Pecuária: bovinos de corte. suínos, ovinos, leite, etc.
Deve ser especificado a superfície que ocupa cada uma das atividades, em
hectares (ha),
de soja, milho, bovinos, algodão, etc.
Disto pode surgir a primeira caracterização do Sistema de Produção, em
Sistemas
Pecuários, Agrícolas ou Mistos (agricultura-pecuária).
Descrever como são desenvolvidas as diferentes atividades, a tecnologia
utilizada:
quantidade e tipo de semente, adubos, herbicidas, inseticidas,
fungicidas e trabalhos
com maquinário próprio ou terceirizado, todos eles referidos por unidade
de superfície
(ha).
Os resultados totais, obtidos no exercício produtivo e econômico, são
quantificados em
kg, @, ou t. É necessário determinar, também, as medidas de eficiência
física: kg/ha de
sojae/ou milho, @//ha de algodão, kg/carne/ha, eficiência do estoque,
etc.
Os indicadores permitem avaliar os resultados produtivos da empresa no
tempo
(exercício) e fazer comparações com outras empresas da mesma, ou outras
regiões. Isto
permitirá melhorar os aspectos produtivos da propriedade.
Os índices produtivos servem, portanto, para avaliar a eficiência com
que são utilizados
os fatores da produção.
Tabela 3 - Exemplos de Indicadores Técnicos
AGRICULTURA PECUÁRIA DE CORTE
kg/ha de Soja kg carne/ha/Ano
kg/ha de Milho carga animal (kg/ha ou cab/ha)
kg/ha de Sorgo eficiência do estoque
ganho de Peso/dia
kg/ha de girassol ganho de Peso/cab
% Desmama
HP/ha % Prenhes
Ha/EH % Parição/ha
Cabeça/EH
Nota: EH = equivalente homem
É necessário lembrar, mais uma vez, que a informação técnica gerada será
sempre útil e,
quando for analisada e utilizada com base para avaliar o passado e, ao
mesmo tempo,
para a tomada de decisões da empresa no futuro.
7. A Informação Econômica
A informação técnica apresentada permite determinar, controlar e/ou
avaliar como foi e
poderá ser o resultado durante o próximo exercício produtivo. A
informação econômica
permite quantificar desde o ponto de vista econômico, até o resultado
financeiro da
empresa.
Para determinar o resultado econômico utilizamos o método de margens
brutas parciais
ou totais, mais conhecidos como margens brutas ou de contribuição por
produtos (soja,
milho, carne, algodão, etc.), por atividade (Agricultura, Pecuária) ou
por margem total
da empresa (Margem Brutal Global).
Assim, devemos ter em conta que, no resultado econômico, devemos levar
em
consideração as receitas e os gastos diretos e indiretos, que
correspondem ao exercício
produtivo analisado e que são gerados pela produção da propriedade.
Agora, o que se entende por receitas diretas?
São todas aquelas receitas, em dinheiro, que tiveram origem na
comercialização durante
o exercício econômico e produtivo.
E por receitas indiretas?
É aquela produção do exercício que não foi vendida em dinheiro efetivo,
como o
consumo de produtos realizados pelos funcionários da fazenda e
proprietários, ou as
diferenças de inventário da atividade de bovinos de corte e dos estoques
de produtos
agrícolas e pecuários.
O que são gastos diretos?
São as saídas em dinheiro produzidas pelos gastos pela compra de bens ou
serviços
realizadas no exercício, como por exemplo: insumos, gastos de mão de
obra, impostos,
etc.
E os gastos indiretos?
Neste item incluímos todos aqueles gastos que não tem como contrapartida
a saída de
dinheiro no exercício analisado como as amortizações (depreciações) e
juros.
No caso das amortizações fazemos referência à quantificação de seu valor
e seu impacto
no exercício econômico daqueles bens que podem ser utilizados em vários
exercícios
produtivos, onde o seu valor será considerado uma parte do mesmo,
segundo a vida útil
do bem, em anos. Por exemplo: melhorias, gado reprodutivo, maquinário e
outros bens.
Em relação aos juros, definidos como a contribuição ou remuneração ao
fator capital de
seu uso no processo produtivo e não sendo usado para outros fins ou
alternativas, está
associado ao custo de oportunidade do dinheiro. Ou seja, a receita
provável que se
deseja obter pela eleição e adoção de uma alternativa diferente daquela
selecionada. Por
exemplo, tomando a decisão de cultivar soja: que beneficio se deixaria
de obter se não
se cultiva algodão? Os juros, ou custo de oportunidade, só devem ser
levados em conta
no planejamento das atividades futuras e não podem ser incluído para
analisar o
passado.
8. Margem por Produto, por Atividade e Total ou Global
Na Figura 3 é apresentado o desenho econômico de uma empresa
agropecuária. A
RECEITA BRUTA inclui as receitas diretas e indiretas geradas pela
produção da
propriedade e que correspondem ao exercício produtivo analisado. Por
exemplo, de
01/07/2005 a 30/06/2006, ou seja, vendas e consumo da produção do
exercício, mais a
Diferença de Inventários (gado e estoques em silos).
Figura 3 – Desenho Econômico da Empresa
Para determinar os GASTOS DIRETOS devemos ter em conta: trabalhos com
maquinário, sementes e defensivos (herbicidas, inseticidas,
fertilizantes, etc.),
arrendamentos diretos, mão de obra específica do produto ou atividade e
amortizações
diretas (correspondente ao valor econômico da depreciação, colheita,
comercialização,
frete e, futuramente, poderá adicionar custos de seguro de risco por
preço e clima).
No caso dos custos diretos pecuários se deve ter em conta: sanidade,
alimentação, mão
de obra específica da atividade, reposição de gado (a qual pode ser
descontada também
da Receita Bruta), amortizações diretas, comercialização, frete e custos
de seguros.
Se da Receita Bruta subtrairmos os GASTOS DIRETOS, obtemos a MARGEM
BRUTA por produto (soja, milho, carne, algodão, etc.).
Somando estes últimos, obtemos as margens por atividade Agrícola e
Pecuária que,
somados, constituirão a MARGEM TOTAL ou GLOBAL da EMPRESA.
O RESULTADO OPERACIONAL é obtido descontando os GASTOS INDIRETOS da
MARGEM BRUTA TOTAL.
Os GASTOS INDIRETOS se produzem independentemente das atividades
produtivas
realizadas. Ou seja, produzindo ou não, estão presentes no custo total
da empresa. Por
exemplo: impostos (Imposto Territorial Rural - ITR), mão-de-obra de
estrutura, gastos
administrativos, veículos administrativos, telefone, conservação
estrutural, etc.
Do RESULTADO OPERACIONAL, deduzidas as depreciações correspondentes aos
investimentos em melhorias e maquinários, obtemos a MARGEM LÍQUIDA. Este
indicador expressa os valores (dinheiro e bens) resultantes do processo
produtivo
analisado de acordo aos fatores ou aos recursos produtivos utilizados. É
o resultado final
da empresa.
A RENTABILIDADE da empresa pode ser analisada através da relação da
Margem
Líquida (ML) e do Ativo Médio utilizado no exercício (incluindo, ou não,
o capital
Terra.
Todos os indicadores, com exceção da rentabilidade econômica, devem ser
expressos
em valores totais e por unidade de superfície (Margem Bruta/ha, Gastos
Diretos/ha,
Receita/ha, Margem Líquida/ha).
Assim, estes cálculos permitem medir a eficiência econômica em função de
algum fator
de produção (terra) ou qualquer outro recurso produtivo (Margem Bruta /kg
de carne
produzida, Margem Bruta/saca produzida, etc.).
O cálculo do Ponto de Equilíbrio (PE) e a relação Receita Líquida/Gastos
Diretos (REL
R/G) são indicadores importantes.
- 22 -
O PE indica a quantidade mínima de produção que deve ser alcançada para
cobrir os
custos diretos do processo produtivo.
(Gastos Diretos – Gastos de Comercialização e Frete)
PE = =
(Preço do Produto - Gastos de comercialização).
A Relação Receita Líquida por Gastos (RELR/G) mostra que, por cada Real
ou Dólar
gasto em insumos, quantos Reais ou Dólares obtemos de Receita. É uma
Relação que
mede o grau de risco com que estamos produzindo. Normalmente, para o
caso da
cultura de soja, essa relação deveria ser ao redor de 2:1.
(Receita Bruta – Gastos de Comercialização)
RELR/G = =
(Gastos Diretos – Gastos de Comercialização - Juros)
9. Interpretação dos Indicadores
Como podemos interpretar estes indicadores e quais as conseqüências que
poderemos
ter no funcionamento da empresa?
sacas/ha ou
kg/carne/ha ou
@/ha
R$/R$
A MARGEM BRUTA/ha de produtos e atividades é uma importante medida de
eficiência econômica, que permite realizar análise comparativa de uma
mesma empresa,
ao longo do tempo e também entre atividades e produtos ou de diferentes
empresas com
sistemas produtivos similares. Assim, podemos avaliar a eficiência da
produção e tomar
decisões em relação aos objetivos a serem atingidos.
Quando fazemos comparações entre empresas, é necessário que a
metodologia de
cálculo das margens seja feita de maneira similar. Pois, sendo de outra
forma, poderia
levar à decisões erradas. Em relação à MARGEM LÍQUIDA, podemos afirmar
que
mantendo o sistema de produção estável, esse valor poderá ser utilizado
para os
seguintes fins: pagar dívidas, manter as retiradas dos proprietários e
permitir o
crescimento da empresa através dos investimentos.
Um alto endividamento diminuirá o nível de vida familiar e o crescimento
da empresa.
Um baixo valor da MARGEM LÍQUIDA leva à descapitalização da empresa e à
diminuição de seu nível de vida. Se não considerar as amortizações ou
depreciações,
como forma de reserva de capital, a empresa não terá capital próprio
disponível para a
realização de seus investimentos.
Por exemplo, um produtor na região de Rondonópolis, MT, com uma área de
2500 ha
em sistema de plantio direto, sendo 2.000 ha com soja e 500 ha com milho
(Tabela 4). A
soja com uma produtividade de 53 sacas/ha e o milho com 50 sacas/ha. A
soja é vendida
por um preço médio de R$ 30,00 por saca (livre de impostos) e o milho a
R$15,00 (livre
de impostos) por saca.
Tabela 4 - Simulação de Resultado Econômico da Produção Agropecuária de
uma
Propriedade com 2500 ha de agricultura, Rondonópolis, MT.
CONCEITO R$/ha R$ TOTAIS
Receita Líquida Soja (R$30 x 53 x 2000) 1590 3.180.000,00
Gastos Diretos (maq. Insumos, etc.) 900 1.800.000,00
Margem Bruta Soja (1) 690 1.380.000,00
Receita Liquida Milho (R$15 x 40 x 500) 600 300.000,00
Gastos Diretos (maq. Insumos, etc.) 300 150.000,00
Margem Bruta Milho (2) 300 150.000,00
MARGEM BRUTA TOTAL (1) + (2) = 3 612 1.530.000,00
Gastos indiretos ou fixos (4) 150 375.000,00
RESULTADO OPERACIONAL (3) – (4)= (5) 462 1.155.000,00
Amortizações (6) 100 250.000,00
MARGEM LIQUIDA ou RESULTADO
ECONOMICO (5) – (6)
362 905.000,00
A MARGEM BRUTA TOTAL é o resultado das margens de cada atividade (soja e
milho) e a MARGEM BRUTA TOTAL POR HECTARE é o resultado após dividi-la
pela área produzida.
A seguir são apresentadas duas situações de duas propriedades similares
em produção,
mas com uma composição da dívida de forma diferente:
Situação 1. O produtor não tem dívidas e quer ampliar seu negócio
comprando mais
terra pelo valor de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais), tendo uma
capacidade de
retirada, por mês, de quase R$ 15.000,00 (quinze mil reais).
Situação 2. A empresa tem uma dívida de R$ 3.000.000,00 (três milhões de
reais) a
pagar em cinco anos e a um custo financeiro total de 17% ao ano. Não tem
o objetivo de
aumento de sua capacidade produtiva, mas sim, manter os níveis atuais de
produção.
Amortização anual dívida R$ 600.000,00
Juros por ano (0,17*R$ R$ 510.000,00/ano
Divida total por ano R$1.110.000,00
Logicamente, as situações ou alternativas que podem ser apresentadas são
infinitas. Mas
a análise realizada mostra as situações diferentes as quais um produtor
agrícola deverá
enfrentar, de acordo a suas decisões.
O que poderá ocorrer: se a produtividade das culturas for menor que a
estimada, se os
preços diminuem ou se o endividamento for mais elevado e tiver que ser
pago
arrendamento?
Por isso, uma vez gerada, esta informação será útil sempre, e muito bem
vinda, quando
for bem analisada, interpretada e utilizada para avaliar o passado e
para planejar o
futuro da empresa.
10. Análise Patrimonial
O objetivo desta análise é conhecer o crescimento da empresa, ou seja,
se o capital
próprio aumenta ou diminui, com a evolução do tempo. Assim, devemos
comparar o
patrimônio de uma empresa, no fim do exercício, com o patrimônio no
inicio, o que
corresponde ao capital inicial no exercício produtivo.
Esta análise da empresa é, em síntese, uma visão global de todos os
aspectos
determinantes do resultado de um exercício, porque complementa a
informação obtida a
partir do Resultado Econômico da Produção ou Margem Líquida da empresa.
Ao partir deste resultado econômico, agregamos a informação sobre a
evolução
patrimonial que surge das atividades agropecuárias, do manejo financeiro
e comercial,
do manejo do crédito, do endividamento e do resultado de outras
atividades.
Mas, qual é a estrutura do capital da empresa?
a. ATIVO: É o Capital Total da empresa. Surge do inventário completo do
capital
total disponível em determinado momento e pode ser constituído assim:
-Disponibilidades: é o capital em efetivo em dinheiro. É o capital
mais líquido. (Caixa e Bancos, investimentos financeiros,
poupança, etc.);
-Créditos de terceiras pessoas com a empresa. É parte do capital
circulante, contas a cobrar, retiradas e créditos;
-Estoques: são produtos e/ou insumos que serão comercializados
ou utilizados num futuro próximo. Também são incluídos aqui
gastos em atividades que ainda não foram colhidas, mas que
poderão gerar receitas no curto prazo (sementeiras). Podem ser
estoque de gado, produtos em silos (grãos), estoque de insumos,
sementeiras de culturas anuais.
Estes três itens (Disponibilidades, Créditos e Estoques) estão incluídos
em Capital
Circulante da Empresa.
-Bens de uso: Incluem o Capital Produtivo e Fixo. Este capital
está relativamente imobilizado e inclui Gado de Cria, Pastagens,
Maquinário, Melhorias, Outros Bens;
-Terra: corresponde ao valor de mercado livre de melhorias, tendo
em conta somente a superfície própria.
A Soma Total do valor destes itens corresponde ao ATIVO TOTAL e, segundo
o
momento pela qual é realizado o cálculo, será ATIVO AO INICIO E ATIVO NO
FECHAMENTO do exercício.
b. Também é necessário descrever as partes do Ativo que não são
propriedade atual
da empresa, ou seja, o PASSIVO:
-Dividas comerciais;
-Dividas Financeiras de curto e longo prazos;
-Outras Dívidas.
c. PATRIMÔNIO LÍQUIDO: é a diferença entre o ATIVO (Capital Total da
Empresa) e o PASSIVO (Capital Alheio) e representa o Capital Próprio da
Empresa.
ATIVO – PASIVO = PATRIMÔNIO LÍQUIDO
A análise patrimonial indica a evolução do patrimônio ao longo do tempo
(12 meses).
Essa análise compara o patrimônio de uma empresa, no fim do exercício,
em relação ao
patrimônio da mesma no início do exercício. Isto permite determinar se a
empresa tem
crescido ou diminuído. Em outras palavras, define o RESULTADO GLOBAL ou
TOTAL DA EMPRESA.
O Patrimônio varia fundamentalmente por três razões:
1. pelo resultado econômico da produção (Margem Líquida);
2. pela valorização ou desvalorização dos bens em relação à inflação
registrada
durante o exercício em análise; e,
3. pelo manejo financeiro da empresa.
O Resultado Econômico da Produção ou Margem Líquida surge da diferença
entre o
valor da produção física e os custos de produção necessários para obtê-la.
No caso da
valorização ou não dos bens, normalmente este é calculado para o Estoque
de Gado e
para o capital Terra.
Por exemplo, temos um rebanho de 100 vacas de cria. O valor por cabeça
no inicio do
exercício era de R$ 350,00/cab. No fechamento do exercício, o valor é de
R$
400,00/cab. Fazendo uma comparação do valor no fechamento (R$ 400,00/cab)
com o
valor inicial indexado no fechamento (R$ 385,00/cab, supondo um
coeficiente de ajuste
IGP-DI de 10%) obtemos um resultado de R$ 15,00/cab, que não são méritos
do ato de
produzir e sim de uma diferença real de valor do mercado que, neste caso
foi um
beneficio. Cada vaca aumentou seu valor real, ou seja, se valorizou em
um quantitativo
superior que ao da taxa da inflação medida pelo IGP-DI (Índice Geral de
Preços –
diponibilidade interna).
O Resultado Financeiro reflete a estratégia empresarial em relação aos
excedentes, aos
déficits financeiros e ao manejo do crédito. Isso significa a utilização
dos excedentes de
Caixa, ao custo financeiro das dívidas e aos períodos de tempo entre as
vendas e os
pagamentos, ou entre as compras e os pagamentos. Logicamente que sobre o
resultado
terão influência a taxa de inflação e as taxas de juros cobradas e
pagas, assim como
também o retorno de outros investimentos. Quando o nível de inflação
aumenta,
impacta negativamente no resultado, através de sua influência no poder
aquisitivo do
dinheiro. Quando existem dívidas, as taxas reais de juros influenciam
negativamente o
resultado da produção.
Outro tema importante é o ENDIVIDAMENTO. Logicamente, o ideal seria que
a fonte
de financiamento fosse só o capital próprio ou o patrimônio liquido, mas
o
funcionamento “normal” das empresas na economia faz com que, em maior ou
menor
grau, utilizem capital emprestado. Este “compromisso” ou passivo gera
dependência e
obrigações na devolução do dinheiro em um prazo determinado e com custo
financeiro
definido, o qual pode influir nas decisões da empresa.
As dívidas de curto prazo, aquelas com pagamentos durante o exercício
atual, devem ser
utilizadas para financiar o capital operacional (insumos, etc.). As
dívidas de médio
prazo (1 a 3 anos) e longo prazo (mais de 3 anos) devem estar destinadas
a financiar a
compra de bens de uso que melhorem a produtividade da empresa (maquinário).
O custo financeiro influi de forma inversamente proporcional no
resultado da empresa,
se há maior taxa de juros, menor será o resultado.
Além do prazo e do custo financeiro, existem outros fatores que influem
na capacidade
de endividamento da empresa, como a Rentabilidade e a Estrutura do
capital e a
situação do mercado de créditos. Todos estes elementos devem ser
considerados e
avaliados no momento da tomada de decisões.
Algumas medidas para quantificar o endividamento:
1- Indicadores do nível de endividamento;
2- Indicadores do nível de liquidez; e,
3- Indicadores da relação de resultado operacional (RO) e passivo de
curto prazo.
Uma forma bastante utilizada relaciona o passivo com a percentagem no
ativo total.
Outra alternativa, mais útil, seria a relação do passivo com a
percentagem do patrimônio
líquido.
Em relação ao índice de liquidez, a idéia é ver a possibilidade que a
empresa pague seus
compromissos ou obrigações de curto prazo com seu ativo circulante,
dinheiro em
efetivo e disponibilidades (Ativo Circulante/Passivo Curto Prazo).
Na relação resultado operacional com dívidas de curto prazo, o objetivo
é medir a
capacidade da empresa de cumprir seus compromissos de curto prazo com o
resultado
das operações normais da empresa (RO/Passivo curto prazo).
É importante destacar que as informações financeiras e patrimoniais
devem estar
expressas em valores totais e em relação aos fatores de produção,
especialmente capital
terra. Estes indicadores são de grande utilidade para realizar estudos
comparativos de
uma mesma empresa ao longo do tempo e entre diferentes empresas com
atividades
similares e regiões produtivas.
Nos quatro tópicos a seguir apresentamos um sistema MÍNIMO de
informações da
empresa agropecuária que é necessário conhecer:
Margem Bruta/ha
Custo Direto/ha
Resultado Financ.
Retiradas
Ativo e Passivo
Patrimônio Líquido
Utilizando este esquema mínimo de informações poderemos começar a
desenvolver a
Gestão da Empresa Agropecuária, pela qual seu domínio deve ser o
objetivo de curto
prazo para todos aqueles que estejam realizando atividades de
gerenciamento. Deve ser
lembrado que a informação gerada só será útil se for analisada,
interpretada e utilizada
como base para avaliar o passado e, ao mesmo tempo, para a tomada de
decisões na
empresa agropecuária no futuro.
11. Estudo de Caso: o Grupo GUARA
Em 1997, um grupo de produtores da região de Rondonópolis, MT, sentiu a
necessidade
de melhorar os resultados econômicos e produtivos de suas empresas. A
necessidade de
controlar, sistematizar e analisar os dados era fundamental para os
objetivos traçados.
O Grupo GUARA (Grupo de Análise de Resultados Agropecuários) estabeleceu,
desde
o seu inicio, que as soluções surgem através da realidade, analisando os
dados
disponíveis e as causas dos resultados na produção. Procurar a solução
para um
problema não de forma isolada e sim tendo em conta a empresa de forma
global
(Análise Sistêmica). Procurar sempre medir, registrar e comparar
resultados.
Durante todos estes anos, de forma ininterrupta, o Grupo analisou suas
receitas, gastos e
suas Margens Brutas por atividades e de forma global (Margem Bruta da
Empresa), seus
custos fixos (Administração e Estrutura), resultado do maquinário
próprio (uma
empresa intermediaria dentro do sistema), depreciações e resultado final
ou Margem
Líquida do Exercício, Rentabilidade em relação ao Capital total e
Análise Patrimonial.
Num recente estudo em andamento, em conjunto com a Universidade de
Illinois (EUA),
ESALQ/USP e Grupo GUARA, sobre estudos comparativos de custo de produção,
o
- 34 -
grupo Guará no decorrer destes últimos exercícios, mostra custos
competitivos
comparados com os apresentados pela Embrapa e CONAB. Figura 4 (MA et
al., 2006).
Figura 4 – Análise Comparativa dos Gastos Diretos com Fertlizantes na
cultura da
Soja, safras de 2000/01 a 2006/07.
Em relação à Margem Bruta, também mostra resultados competitivos
especialmente nos
dois últimos exercícios, justamente na época de maior crise no setor do
Agronegócio
(Figura 5; MA et al. 2006).
Figura 5 – Análise Comparativa entre Margem Bruta da Soja e os Gastos
Variáveis, safras de 2000/01 a 2006/07.
O Grupo GUARA considera, dentro de seus objetivos “operacionais”,
trabalhar sempre
com eficiência. Assim, é fundamental “conhecer e saber fazer as coisas”.
O uso correto
das tecnologias como forma de diminuir custos (Tabelas 6).
Tabela 6 - Uso correto das Tecnologias como forma de diminuir os Custos
de
Produção
Através da análise de Gestão realizada pelo Grupo GUARA aparecem pontos
fracos e
pontos fortes, oportunidades e ameaças. Por exemplo, a monocultura de
soja e o
oligopólio da indústria de insumos levam a um incremento dos gastos
diretos da cultura.
Visando quantificar o aumento dos gastos diretos na cultura de soja, o
Grupo GUARA
estabeleceu a necessidade de trabalhar com Gestão de Compras através de
um “pool”,
visando maior competitividade na aquisição dos insumos produtivos. A
análise de
Gestão mostrou também coeficiente de variação elevado com os preços
vendidos da
soja no mercado. Para minimizar essa ameaça, o Grupo GUARA firmou uma
parceria
com empresa internacional especializada em comercialização. A análise de
Gestão
também verificou, comparando os resultados entre as empresas, uma grande
variação
nos resultados operacionais. Entretanto, não detectou muitas variações
nas produções
por hectares e nos preços de mercado realizado por algumas empresas.
Assim, se viu
que o ativo “Recursos Humanos” poderia ser uma fonte de erros
operacionais, gerando a
necessidade de treinamento dos Recursos Humanos na informação e na
organização da
empresa, de forma permanente (Tabela 7).
• Fertilização do Solo;
• Manejo do Solo (plantio direto);
• Época de Semeadura;
• Seleção do Cultivar;
• Controle de Plantas Daninhas;
• Controle de Pragas;
• Produção, Conservação e sustentabilidade: Iniciando o
sistema de rotação de espécies vegetais: Sistema de
Rotação Agrícola; Sistema Misto de Rotação Agricultura-
Pastagens
Tabela 7 - Outras ferramentas de Gestão para diminuir os Custos de
Produção
A vida Grupal, através das reuniões mensais no ano, ajuda a estabelecer
as estratégias
das práticas tecnológicas provadas, com o objetivo de diminuir o risco
produtivo.
Mas não é só isso. É fundamental agregar “novas ferramentas”. Assim, a
formação de
um Pool de Compras de insumos (Gestão de compras), parceria com firma
internacional
na comercialização, com o objetivo de minimização de riscos de preços
através da
utilização dos mercados de futuro e de opções (Gestão da
Comercialização),
treinamento de RH (Gestão de Recursos Humanos) e o estabelecimento das
estratégias
produtivas, econômicas e de vendas (Tabela 8).
Tabela 8 – Estratégia em Solos de Fase Argilosa, Grupo GUARA, Safra de
2005/06.
• Criação de pool de compras de insumos (Gestão de
Compras)
• Parceria com firma internacional na comercialização: -
Minimizando riscos através do mercado futuro e opções
(Gestão de Comercialização)
• Treinamento dos RH (Gestão de Recursos Humanos)
• Estratégias de manejo para os solos de fase arenosa
• Estratégias de manejo para os solos de fase argilosa
Inicialmente, alguns produtores do Grupo GUARA têm parceria com a
Fundação Mato
Grosso (Programa Monitoramento de Adubação, PMA) desde o exercício
2003/4, onde
o acompanhamento e os ensaios experimentais têm contribuído
substancialmente para o
aumento da eficiência produtiva.
Dentro da metodologia da Gestão Econômica e Financeira adotada pelo
Grupo, o banco
de dados serve para analisar as empresas, em conjunto, em todos os
exercícios. Assim, a
análise conhecida como “benchmarking” é a forma de conhecer e informar o
que os
outros estão fazendo de melhor. Estabelecer metas quantificadas e
aprender Quanto e
Como. Procurar entender os processos subjacentes que capacitam as
melhores empresas
a conseguirem seus melhores resultados. A análise das correlações
econômicas e
produtivas realizadas no exercício 2004/05 (Figura 6) mostra que a
Receita (preço) é
mais importante do que a produção/ha para o aumento da Margem Bruta
(lucro). Isso
pode ser melhor observado através do índice de correlação para preço
(+0,71) do que a
produtividade que apresenta índice de correlação de +0,43. E que a
diminuição dos
a) Talhões com bom nível de fertilidade não receberão
adubação;
b) No restante, adubação econômica de forma que não
comprometa a produtividade;
c) Cultivares: não será utilizado variedades de ciclo tardio
(maior suscetibilidade a ferrugem);
d) Uso de cultivares resistentes a nematóide de cisto de
forma rotativa em toda a propriedade, diminuindo assim o
risco por perda, além de evitar sua disseminação;
e) Uso de cultivares resistentes de nematóide de galha onde
for detectado;
f) Uso de culturas transgênicas, objetivando menores custos
de herbicidas (ervas resistentes);
g) Rotação de culturas: Sistema misto de produção agrícola –
pastagem: Modelo 1 – (solos arenosos s/ pecuária) e Modelo
2 – (solos arenosos c/ pecuária);
gastos fixos ou de Estrutura é mais importantes que os investimentos
(depreciações)
para o aumento da Margem Líquida
Figura 6 – Análise das Correlações Econômicas e Produtivas,
“BENCHMARKING”, Grupo GUARA, safra de 2004/05.
Obter boas Margens está muito correlacionado com o lucro final.
Portanto, atendendo
sempre aos custos de produção e a produção por ha, a comercialização foi
sempre um
fator de muita importância. Por isso, a parceria com empresa
especializada em
comercialização (Mercado Futuro e Opções) foi realizada.
Os estudos de novos sistemas de produção agrícola são fundamentais para
a
sustentabilidade produtiva e econômica das empresas do Grupo GUARA.
Assim, manejando a informação do Grupo através dos exercícios (Tabela 9)
podemos
observar as diferentes produções por hectare para diferentes talhões com
as culturas de
inverno e verão, respectivamente.
Tabela 9 – Avaliação Econômica dos Sistemas de Produção, exercício
2005/06,
Grupo GUARA.
Nota: Exercício é o período que inicia em 01/julho de um dado ano até
30/junho do ano
seguinte.
Para o talhão Q2 com rotação de culturas, milho safra aparece durante
dois exercícios
seguidos (03/04 e 04/05) em relação à soja continua durante os períodos
de verão nos
outros talhões. O talhão com rotação (Q2) foi o de maior produção por
hectare para o
exercício 05/06 (65,8 sacas/ha).
Na Tabela 10 são mostrados os custos diretos em R$/ha, Margem Bruta/ha e
relação
Receita Líquida e custos diretos para os diferentes talhões, destacando
que o PS6 foi o
talhão com cultivo de soja transgênica. As melhores Margens correspondem
aos talhões
com rotação de culturas (Q2) e cultivo com soja transgênica (PS6).
Tabela 10 – Avaliação Econômica dos diferentes Sistemas de Produção,
Grupo
GUARA, safra de 2005/06 (R$/ha).
De forma resumida, tentamos descrever as principais características das
ferramentas de
Gestão como solução para a competitividade e a rentabilidade do
Agronegócio
brasileiro, apoiada pelas experiências e pelo banco de dados de um grupo
organizado de
produtores.
Duas mensagens são deixadas para você leitor:
“Há cinco tipos de empresas: as que fazem as coisas acontecerem; as que
acham
que podem fazer as coisas acontecerem; as que observam as coisas
acontecerem; as
que admiram o que aconteceu; e as que não sabem que algo tenha
acontecido”
(Anônimo).
“Dirigir bem um negócio é administrar seu futuro; dirigir o futuro é
administrar
informações” (Marion Harper, 1916-1989).
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Ing. Agr. José Henrique Abreo Rodriguez
Engenheiro Agrônomo, MBA Executivo FGV-RJ, Consultor Grupo GUARA. Análise de Gestão Econômica e Financeira.
João Martines-Filho
Professor Doutor do Depto de Economia, Administração e Sociologia da ESALQ/USP. martinesarrobausp.br
Peter Goldsmith
Professor de Agribusiness e Diretor do National Soybean Research Laboratory na University of Illinois.
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