A importância da análise de gestão na agropecuária: controle de custos e aumento da rentabilidade

Autor: Ing. Agr. José Henrique Abreo Rodriguez y otros

Costos

02-04-2007

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Na atualidade todas as empresas, em especial aquelas participantes do Agronegócio Brasileiro, devem ser gerenciadas com o maior rigor e competência técnica.

1. Introdução

A evolução das economias nacional e internacional, na ordem macroeconômica orientada pela globalização, impõe às empresas variações nos preços, nos insumos e nas formas de comercialização, que resultam em fortes oscilações na expectativa dos empresários, nos resultados econômicos e na rentabilidade de sua empresa. Os produtores que não se adaptarem às novas realidades permanecerão, definitivamente, fora desse novo mercado globalizado. Os baixos preços dos produtos, resultantes principalmente da introdução de novas tecnologias e do oligopsônio na venda de sua produção, o aumento dos preços dos insumos dentro de um setor oligopolista, as estruturas e os custos financeiros com taxas reais de juros mais altas do mundo e, por último, a alta carga tributária praticada na cadeia do agronegócio, são alguns fatos daatualidade que os produtores devem enfrentar com objetividade e gestão eficaz.

Esta característica econômica e a situação própria da produção tais como escalas produtivas pouco e mal utilizadas, altas retiradas do empresário, endividamento que pode inviabilizar o futuro da empresa, pouca capacidade de gerenciamento e falta de planejamento sustentável da propriedade para enfrentar períodos de preços baixos e custos altos, aumentam o risco da produção.

Na grande maioria, as empresas agropecuárias são familiares e não existe uma clara distinção entre funções familiares e empresariais. Outrossim, o esforço necessário para dirigir uma empresa agropecuária é hoje muito mais complexo, exigindo mais dedicação do produtor em quantidade e qualidade do trabalho a ser realizado para o sucesso de seu empreendimento empresarial.

Este trabalho apresenta uma descrição global das principais variáveis a serem consideradas na atividade agropecuária para condução de um processo de gerenciamento eficiente.

2. A Empresa e a Família

Normalmente nas empresas familiares não está nada claro a verdadeira função e diferenciação entre empresa e família. Estão relacionadas, mas com funções totalmente diferentes.

Muitas vezes existe uma superposição ente os problemas familiares e os empresariais. Ou seja, é difícil determinar claramente a origem dos problemas e as causas que osgeraram e assim encontrar as soluções possíveis e necessárias para um funcionamento equilibrado.

Sempre existiu uma “simbiose” entre a família e a empresa, mas dado a realidade do meio econômico e social, as empresas devem ser competitivas, eficientes e profissionais para enfrentar a complexidade da realidade atual. E por isso, as relações que mantém unida a família, são diferentes em uma empresa ativa e rentável. O “desenho” é totalmente diferente, a empresa deve ser fundamentalmente ligada à capacidade profissional dos integrantes da família.

Um dos principais objetivos da empresa é a maximização dos benefícios ou lucros da atividade para dar sustento econômico e socialmente a todos os seus participantes.

A empresa agropecuária realiza suas atividades em uma realidade de múltiplos riscos (climáticos, financeiros, de mercado, etc.). Um deles é o risco administrativo ou gerencial de como manejar ou ter capacidade para conduzir eficientemente a empresa num mundo caracterizado pela existência de risco permanente. Por estas razões, é importante definir claramente quais serão os direitos e os deveres que terão cada um dos integrantes da família que “querem” trabalhar na empresa. Se deve dar ênfase especial às atividades a serem desenvolvidas de forma clara e precisa, definindo os honorários e/ou retiradas dos “sócios”, qual será a responsabilidade nas diferentes atividades realizadas e como deverão ser tomadas as decisões. Por exemplo, formando um Conselho Consultivo, onde as decisões são realizadas com a participação de gestores familiares e consultores externos.

Além da organização, é muito importante programar a capacitação dos integrantes da família e de seus colaboradores, não somente na área da tecnologia, mas também na área empresarial ou de gestão, que é fundamental para o desenvolvimento sustentável da empresa. Assim, a capacitação aliada e a experiência vivencial ajudarão e serão importantíssimas na sucessão familiar para o futuro da empresa.

3. O Processo de Gestão

Hoje podemos afirmar que, de acordo com a nossa experiência, concentrar esforços unicamente na produção é uma condição necessária, mas não suficiente. O resultado de uma empresa não se define apenas produzindo.

Deve haver uma visão global ou gestão integral da empresa para sua viabilidade no futuro. Para isso, são necessárias informações atualizadas e organizadas para permitir decidir o uso mais eficiente dos recursos produtivos, para atingir as metas e os objetivos traçados no planejamento da empresa.

A Gestão é um PROCESSO circular e dinâmico que se iniciam com a ANÁLISE e o DIAGNÓSTICO dos resultados produtivos, econômicos, financeiros e patrimoniais do ÚLTIMO exercício, as CAUSAS dos resultados e os recursos produtivos disponíveis. O processo se reinicia com a retro-alimentação das informações produtivas e econômicas do exercício anterior para o atual.

Figura 1 - Processo de Gestão

Em síntese, a análise e o diagnóstico permitem visualizar o passado da empresa e conhecer suas limitações e atributos positivos (pontos fortes e fracos). O PLANEJAMENTO e a DECISÃO permitem avaliar diferentes alternativas de produção no futuro e decidir, estrategicamente, quais serão as melhores opções econômicas e financeiras. O processo de decisão deverá estabelecer o desenvolvimento das alternativas escolhidas no curto e médio prazos.

A ORGANIZAÇÃO E a EXECUÇÃO do plano de produção escolhido, responde: de quando, como e por quem serão conduzidos o processo e quais informações deverão ser registradas. Durante e ao final do exercício presente se deve realizar o CONTROLE e a AVALIAÇÃO dos resultados, dando assim a base para a ANÁLISE e o DIAGNÓSTICO do próximo exercício.

4. Algumas Estratégias para Administrar o Risco Agropecuário

Risco e certeza são duas palavras antagônicas ou contrárias, normalmente muito discutidas no âmbito empresarial. São componentes da gestão empresarial e depende de cada um aumentar uma e minimizar a outra.

TIPOS DE RISCO

Os riscos que as empresas agropecuárias enfrentam, podem ser divididas em dois grandes grupos: riscos da atividade e riscos financeiros. No primeiro grupo estão aqueles onde a variação do resultado surge das características particulares da atividade e pelo outro lado, no segundo grupo, estão aqueles que surgem da estrutura financeira da empresa.

Os riscos da ATIVIDADE podem se subdividir em:

• Riscos de produção ou riscos técnicos, que são aqueles intrínsecos à atividade produtiva, que podem gerar diferentes resultados no produto final, em qualidade e quantidade, como por exemplo, riscos climáticos, riscos sanitários, etc.;

• Riscos de mercado e riscos de preços são as variações nos preços dos produtos ou nos insumos durante o ciclo produtivo;

• Risco tecnológico, onde a inovação na tecnologia traz como conseqüência que aquelas utilizadas hoje, sejam obsoletas amanhã; e,

• Riscos legais ou sociais que se referem às mudanças que podem ocorrer na política impositiva, comercial, creditícia e ambiental.

Os riscos FINANCEIROS podem se subdividir em:

• Riscos de liquidez. Ë o risco que a empresa não pode cumprir com suas dívidas de curto prazo. Isto pode levar a um paulatino endividamento em longo prazo e pode levar a liquidação ou venda da empresa;

• Riscos de insolvência. É o risco de não poder atender as dívidas ou obrigações financeiras pela venda dos ativos. Isto provoca uma não disponibilidade de crédito, tendo que desenvolver suas atividades na base exclusivamente dos saldos de caixa diários o que impossibilita a reestruturação da parte financeira da empresa; e,

• Riscos de não ter reservas creditícia. É o risco de não dispor de crédito num momento determinado por ter todas as garantias comprometidas. A empresa pode reestruturar suas dívidas, pagando suas contas contraídas para assim obter novos créditos.

ESTRATEGIAS PARA MANEJAR O RISCO

Uma vez identificados os riscos que podem afetar o projeto da empresa, se deve então definir a estratégia ou o conjunto de estratégias para manejar o risco provável. As estratégias podem se dividir em PRODUTIVAS, COMERCIAIS e FINANCEIRAS.

Assim descritas:

ESTRATÉGIAS PRODUTIVAS:

- Seleção da atividade produtiva;
- Seleção de onde se desenvolverá esta atividade;
- Diversificação de atividades;
- Uso de tecnologias provadas;
- Seleção de práticas tecnológicas;
- Incentivos ao trabalho bem realizado;
- Sistemas de produção flexíveis para responder à situações de risco; e,
- Melhorias na produção.

ESTRATÉGIAS COMERCIAIS:

- Seleção de atividades com baixa variabilidade nos preços;
- Armazenamento do produto e venda em diferentes momentos;
- Programação de vendas ao longo do ano;
- Fixação de preços com antecipação (mercado de futuros/a termo e opções);
- Contratos para compra de insumos;
- Sistemas de produção flexíveis para responder às situações de risco;
- Integração vertical; e,
- Desenvolvimento de marca.

ESTRATÉGIAS FINANCEIRAS:

- Diminuição de custos (fixos e variáveis);
- Ter uma maior proporção de ativos como ativos líquidos;
- Fazer coincidir os pagamentos da dívida com a geração de receitas;
- Financiamento a longo prazo (parcelas anuais menores);
- Dispor de margem de endividamento;
- Aumentar o patrimônio em relação à dívida;
- Alugar ou terceirizar ativos (maquinário, equipamentos e terra); e,
- Diversificação do capital (outras opções de investimentos).

Para o nível estratégico, o FOCO é a conquista da EFICÁCIA, que é uma medida da obtenção de resultados ficando a EFICIÊNCIA mais relacionada ao nível operacional com a utilização dos recursos disponíveis no processo.

Na Tabela 1 se pode observar a diferença entre EFICIÊNCIA e EFICÁCIA. As gestões econômica e financeira procuram, em última instância, a atitude pró-ativa do empresário para atingir, fundamentalmente, a EFICÁCIA sem descuidar da EFICIÊNCIA.

Tabela 1 – Eficiência e Eficácia, dois conceitos diferentes.

5. Informação da Empresa

O PROCESSO de GESTÃO da empresa agropecuária demanda informação em qualidade e quantidade dos fatores produtivos disponíveis, dos níveis de produtividade atuais e potenciais, da tecnologia utilizada, da capacidade empresarial, das estratégias comerciais, dos resultados obtidos, além de outros.

Esta informação serve para SISTEMATIZAR os níveis que são minimamente necessários conhecer, dada sua importância para o desenvolvimento da empresa. Assim sendo, as informações podem ser classificas nos seguintes níveis:

1. Produtiva e/ou técnica;
2. Econômica;
3. Financeira. e,
4. Patrimonial

Tabela 2 - Níveis de informação e exemplos de indicadores da Empresa

Com base nos dados da Tabela 2 e com um mínimo de informação interna é possível começar a desenvolver uma adequada gestão da empresa agropecuária, onde seu conhecimento deverá ser o objetivo no curto prazo para todos aqueles que estejam realizando atividades de gerenciamento.

Em conclusão: hoje, o empresário agropecuário deve responder, objetivamente, três questões de maior importância econômica: O QUÉ PRODUZIR, COMO PRODUZIR e PARA QUEM PRODUZIR?

Em outros tempos, conhecer o “COMO” era suficiente. Hoje, a realidade com sua complexidade exigem mais ferramentas para a tomada de decisões.

No processo de produção o antes, o durante e o depois geram uma grande quantidade de fatos que influenciam nos resultados da empresa além, é claro, de outras variáveis. Desta forma, surgem continuadamente dados, ou seja, elementos que refletem algum acontecimento produzido na empresa e que são de grande utilidade no processo de decisão e. por isso, são a base fundamental do sistema de informação (Figura 2).

Como exemplos de dados, podemos citar: quantidade de milho e soja produzidos, quantidade de sementes utilizadas na semeadura, dosagem dos herbicidas e inseticidas utilizados, receitas geradas pelas vendas do milho e da soja, pagamento do óleo diesel, etc.

Como podemos ver, os dados apresentados desta forma não têm muito significado, são descritivos. Por isso, os dados devem se transformar em informação que seja útil e válida para a gestão econômica e financeira da Empresa. Assim, o importante é registrar os dados organizadamente num Controle e no momento em que forem produzidos, de tal forma a não esquecer nada do acontecido na empresa.

Quando registramos depois do fato ter ocorrido e nos afastamos do tempo do processo que originou o dado, podemos esquecer e tornar o registro com menor precisão e valor. Por isso, devemos assumir essa tarefa, que demanda tempo, de registrar o estritamente necessário e suficiente para um controle eficiente.

As informações devem classificadas em técnicas ou produtivas, econômicas, financeiras e patrimoniais. Isto permitirá uma melhor sistematização, a qual beneficiará o processo de tomada de decisão. Assim, os fatos ocorridos na empresa geram dados que são recolhidos de forma sistemática e metódica em registros organizados. Isso permitirá que, periodicamente, sejam analisados e transformados em informação útil para avaliar, decidir e gerar INDICADORES sobre aspectos produtivos, econômicos, financeiros e patrimoniais.

6. A Informação Técnica

Segundo os dados da Tabela 2 é necessário, primeiramente, conhecer a quantidade e a qualidade dos recursos produtivos com que a empresa conta: terra, capital e trabalho. Para isso, é necessário realizar inventários ordenados e detalhados de cada um dos fatores de produção.

No caso do recurso Terra é necessário conhecer a quantidade total disponível para a produção, a qualidade de seus solos, a capacidade de uso e a condição atual de uso (área improdutiva, com solo muito pedregoso, etc.).

Em relação ao Capital, é preciso conhecer a informação sobre melhoramentos realizados, maquinário, instalações, gado e estoques de produtos e insumos, registrando quantidade, data de aquisição, estado, categoria e tipo de gado.

Em relação aos Recursos Humanos é necessário conhecer a quantidade, o tempo de ocupação e a capacidade da mão de obra permanente e temporária.

Deve ser determinado COMO são utilizados os fatores produtivos nas diferentes atividades, QUAIS atividades são realizadas, QUANTO de cada um e COMO estas são realizadas?

As atividades podem ser divididas em dois grandes grupos:

A. Agricultura: soja, milho, girassol,e algodão; e,
B. Pecuária: bovinos de corte. suínos, ovinos, leite, etc.

Deve ser especificado a superfície que ocupa cada uma das atividades, em hectares (ha), de soja, milho, bovinos, algodão, etc.

Disto pode surgir a primeira caracterização do Sistema de Produção, em Sistemas Pecuários, Agrícolas ou Mistos (agricultura-pecuária).

Descrever como são desenvolvidas as diferentes atividades, a tecnologia utilizada:

quantidade e tipo de semente, adubos, herbicidas, inseticidas, fungicidas e trabalhos com maquinário próprio ou terceirizado, todos eles referidos por unidade de superfície (ha).

Os resultados totais, obtidos no exercício produtivo e econômico, são quantificados em kg, @, ou t. É necessário determinar, também, as medidas de eficiência física: kg/ha de sojae/ou milho, @//ha de algodão, kg/carne/ha, eficiência do estoque, etc.

Os indicadores permitem avaliar os resultados produtivos da empresa no tempo (exercício) e fazer comparações com outras empresas da mesma, ou outras regiões. Isto permitirá melhorar os aspectos produtivos da propriedade.

Os índices produtivos servem, portanto, para avaliar a eficiência com que são utilizados os fatores da produção.

Nota: EH = equivalente homem

É necessário lembrar, mais uma vez, que a informação técnica gerada será sempre útil e,
quando for analisada e utilizada com base para avaliar o passado e, ao mesmo tempo,
para a tomada de decisões da empresa no futuro.

7. A Informação Econômica

A informação técnica apresentada permite determinar, controlar e/ou avaliar como foi e
poderá ser o resultado durante o próximo exercício produtivo. A informação econômica
permite quantificar desde o ponto de vista econômico, até o resultado financeiro da
empresa.

Para determinar o resultado econômico utilizamos o método de margens brutas parciais
ou totais, mais conhecidos como margens brutas ou de contribuição por produtos (soja,
milho, carne, algodão, etc.), por atividade (Agricultura, Pecuária) ou por margem total
da empresa (Margem Brutal Global).

Assim, devemos ter em conta que, no resultado econômico, devemos levar em
consideração as receitas e os gastos diretos e indiretos, que correspondem ao exercício
produtivo analisado e que são gerados pela produção da propriedade.

Agora, o que se entende por receitas diretas?

São todas aquelas receitas, em dinheiro, que tiveram origem na comercialização durante
o exercício econômico e produtivo.

E por receitas indiretas?

É aquela produção do exercício que não foi vendida em dinheiro efetivo, como o
consumo de produtos realizados pelos funcionários da fazenda e proprietários, ou as
diferenças de inventário da atividade de bovinos de corte e dos estoques de produtos
agrícolas e pecuários.

O que são gastos diretos?

São as saídas em dinheiro produzidas pelos gastos pela compra de bens ou serviços
realizadas no exercício, como por exemplo: insumos, gastos de mão de obra, impostos,
etc.

E os gastos indiretos?

Neste item incluímos todos aqueles gastos que não tem como contrapartida a saída de
dinheiro no exercício analisado como as amortizações (depreciações) e juros.

No caso das amortizações fazemos referência à quantificação de seu valor e seu impacto
no exercício econômico daqueles bens que podem ser utilizados em vários exercícios
produtivos, onde o seu valor será considerado uma parte do mesmo, segundo a vida útil
do bem, em anos. Por exemplo: melhorias, gado reprodutivo, maquinário e outros bens.

Em relação aos juros, definidos como a contribuição ou remuneração ao fator capital de
seu uso no processo produtivo e não sendo usado para outros fins ou alternativas, está
associado ao custo de oportunidade do dinheiro. Ou seja, a receita provável que se
deseja obter pela eleição e adoção de uma alternativa diferente daquela selecionada. Por
exemplo, tomando a decisão de cultivar soja: que beneficio se deixaria de obter se não
se cultiva algodão? Os juros, ou custo de oportunidade, só devem ser levados em conta
no planejamento das atividades futuras e não podem ser incluído para analisar o
passado.

8. Margem por Produto, por Atividade e Total ou Global

Na Figura 3 é apresentado o desenho econômico de uma empresa agropecuária. A
RECEITA BRUTA inclui as receitas diretas e indiretas geradas pela produção da
propriedade e que correspondem ao exercício produtivo analisado. Por exemplo, de
01/07/2005 a 30/06/2006, ou seja, vendas e consumo da produção do exercício, mais a
Diferença de Inventários (gado e estoques em silos).

Para determinar os GASTOS DIRETOS devemos ter em conta: trabalhos com maquinário, sementes e defensivos (herbicidas, inseticidas, fertilizantes, etc.), arrendamentos diretos, mão de obra específica do produto ou atividade e amortizações diretas (correspondente ao valor econômico da depreciação, colheita, comercialização, frete e, futuramente, poderá adicionar custos de seguro de risco por preço e clima).

No caso dos custos diretos pecuários se deve ter em conta: sanidade, alimentação, mão de obra específica da atividade, reposição de gado (a qual pode ser descontada também da Receita Bruta), amortizações diretas, comercialização, frete e custos de seguros.

Se da Receita Bruta subtrairmos os GASTOS DIRETOS, obtemos a MARGEM BRUTA por produto (soja, milho, carne, algodão, etc.).

Somando estes últimos, obtemos as margens por atividade Agrícola e Pecuária que, somados, constituirão a MARGEM TOTAL ou GLOBAL da EMPRESA.

O RESULTADO OPERACIONAL é obtido descontando os GASTOS INDIRETOS da MARGEM BRUTA TOTAL.

Os GASTOS INDIRETOS se produzem independentemente das atividades produtivas realizadas. Ou seja, produzindo ou não, estão presentes no custo total da empresa. Por exemplo: impostos (Imposto Territorial Rural - ITR), mão-de-obra de estrutura, gastos administrativos, veículos administrativos, telefone, conservação estrutural, etc.

Do RESULTADO OPERACIONAL, deduzidas as depreciações correspondentes aos investimentos em melhorias e maquinários, obtemos a MARGEM LÍQUIDA. Este indicador expressa os valores (dinheiro e bens) resultantes do processo produtivo analisado de acordo aos fatores ou aos recursos produtivos utilizados. É o resultado final da empresa.

A RENTABILIDADE da empresa pode ser analisada através da relação da Margem Líquida (ML) e do Ativo Médio utilizado no exercício (incluindo, ou não, o capital Terra.

Todos os indicadores, com exceção da rentabilidade econômica, devem ser expressos em valores totais e por unidade de superfície (Margem Bruta/ha, Gastos Diretos/ha, Receita/ha, Margem Líquida/ha).

Assim, estes cálculos permitem medir a eficiência econômica em função de algum fator de produção (terra) ou qualquer outro recurso produtivo (Margem Bruta /kg de carne produzida, Margem Bruta/saca produzida, etc.).

O cálculo do Ponto de Equilíbrio (PE) e a relação Receita Líquida/Gastos Diretos (REL R/G) são indicadores importantes.

O PE indica a quantidade mínima de produção que deve ser alcançada para cobrir os custos diretos do processo produtivo.

A Relação Receita Líquida por Gastos (RELR/G) mostra que, por cada Real ou Dólar gasto em insumos, quantos Reais ou Dólares obtemos de Receita. É uma Relação que mede o grau de risco com que estamos produzindo. Normalmente, para o caso da cultura de soja, essa relação deveria ser ao redor de 2:1.

9. Interpretação dos Indicadores

Como podemos interpretar estes indicadores e quais as conseqüências que poderemos ter no funcionamento da empresa?

A MARGEM BRUTA/ha de produtos e atividades é uma importante medida de eficiência econômica, que permite realizar análise comparativa de uma mesma empresa, ao longo do tempo e também entre atividades e produtos ou de diferentes empresas com sistemas produtivos similares. Assim, podemos avaliar a eficiência da produção e tomar decisões em relação aos objetivos a serem atingidos.

Quando fazemos comparações entre empresas, é necessário que a metodologia de cálculo das margens seja feita de maneira similar. Pois, sendo de outra forma, poderia levar à decisões erradas. Em relação à MARGEM LÍQUIDA, podemos afirmar que mantendo o sistema de produção estável, esse valor poderá ser utilizado para os seguintes fins: pagar dívidas, manter as retiradas dos proprietários e permitir o crescimento da empresa através dos investimentos.

Um alto endividamento diminuirá o nível de vida familiar e o crescimento da empresa. Um baixo valor da MARGEM LÍQUIDA leva à descapitalização da empresa e à diminuição de seu nível de vida. Se não considerar as amortizações ou depreciações, como forma de reserva de capital, a empresa não terá capital próprio disponível para a realização de seus investimentos.

Por exemplo, um produtor na região de Rondonópolis, MT, com uma área de 2500 ha em sistema de plantio direto, sendo 2.000 ha com soja e 500 ha com milho (Tabela 4). A soja com uma produtividade de 53 sacas/ha e o milho com 50 sacas/ha. A soja é vendida por um preço médio de R$ 30,00 por saca (livre de impostos) e o milho a R$15,00 (livre de impostos) por saca.

A MARGEM BRUTA TOTAL é o resultado das margens de cada atividade (soja e milho) e a MARGEM BRUTA TOTAL POR HECTARE é o resultado após dividi-la pela área produzida.

A seguir são apresentadas duas situações de duas propriedades similares em produção, mas com uma composição da dívida de forma diferente:

Situação 1. O produtor não tem dívidas e quer ampliar seu negócio comprando mais terra pelo valor de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais), tendo uma capacidade de retirada, por mês, de quase R$ 15.000,00 (quinze mil reais).

Situação 2. A empresa tem uma dívida de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) a pagar em cinco anos e a um custo financeiro total de 17% ao ano. Não tem o objetivo de aumento de sua capacidade produtiva, mas sim, manter os níveis atuais de produção.

Logicamente, as situações ou alternativas que podem ser apresentadas são infinitas. Mas a análise realizada mostra as situações diferentes as quais um produtor agrícola deverá enfrentar, de acordo a suas decisões.

O que poderá ocorrer: se a produtividade das culturas for menor que a estimada, se os preços diminuem ou se o endividamento for mais elevado e tiver que ser pago arrendamento?

Por isso, uma vez gerada, esta informação será útil sempre, e muito bem vinda, quando for bem analisada, interpretada e utilizada para avaliar o passado e para planejar o futuro da empresa.

10. Análise Patrimonial

O objetivo desta análise é conhecer o crescimento da empresa, ou seja, se o capital próprio aumenta ou diminui, com a evolução do tempo. Assim, devemos comparar o patrimônio de uma empresa, no fim do exercício, com o patrimônio no inicio, o que corresponde ao capital inicial no exercício produtivo.

Esta análise da empresa é, em síntese, uma visão global de todos os aspectos determinantes do resultado de um exercício, porque complementa a informação obtida a partir do Resultado Econômico da Produção ou Margem Líquida da empresa.

Ao partir deste resultado econômico, agregamos a informação sobre a evolução patrimonial que surge das atividades agropecuárias, do manejo financeiro e comercial, do manejo do crédito, do endividamento e do resultado de outras atividades.

Nota: Es probable que en esta página web no aparezcan todos los elementos del presente documento.  Para tenerlo completo y en su formato original recomendamos descargarlo desde el menú en la parte superior

Ing. Agr. José Henrique Abreo Rodriguez

Engenheiro Agrônomo, MBA Executivo FGV-RJ, Consultor Grupo GUARA. Análise de Gestão Econômica e Financeira.

jear21arrobaterra.com.br

João Martines-Filho

Professor Doutor do Depto de Economia, Administração e Sociologia da ESALQ/USP.  martinesarrobausp.br

Peter Goldsmith

Professor de Agribusiness e Diretor do National Soybean Research Laboratory na University of Illinois. 

pgoldsmiarrobauiuc.edu

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